Você sabe o que são os telômeros?

02 Março, 2020
O envelhecimento humano é um processo complexo que a ciência ainda não entende completamente. Um de seus indicadores é o comprimento dos telômeros, que ficam nas extremidades dos cromossomos.
 

Os telômeros foram descobertos na década de 1930 por Hermann Joseph Muller e Barbara McClintock. O feito rendeu um Prêmio Nobel à dupla. Em 2009, os pesquisadores Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostak receberam outro Prêmio Nobel de Medicina por seus avanços no mesmo tema.

Anteriormente, acreditava-se que as células poderiam se dividir infinitamente. Então, descobriu-se que, na realidade, as células só podiam se dividir um certo número de vezes e depois morriam. O comprimento dos telômeros determina quão perto ou longe as células estão de morrer.

O que são os telômeros?

Os telômeros são as extremidades dos cromossomos. A palavra vem de uma raiz grega que literalmente significa “parte final”. Seria algo como a parte de plástico que fica no final dos cadarços.

Eles são considerados os escudos protetores do DNA das nossas células. Isso significa que, graças a eles, em grande parte, os cromossomos mantêm sua estrutura estável. Essa estabilidade permite que as células se dividam da maneira como deveriam.

Os telômeros desempenham um papel importante em outras funções. Graças a eles, as células não aderem umas às outras, e isso é muito importante para a própria vida. Entre outros aspectos, os telômeros também permitem estabelecer o quanto um organismo envelheceu.

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Compreendendo os telômeros

As células se dividem constantemente para regenerar os tecidos e órgãos do nosso corpo. Cada uma dessas divisões faz com que os telômeros se reduzam um pouco. Assim, gradualmente eles se tornam mais curtos. Há um ponto em que eles ficam tão pequenos que não conseguem mais desempenhar sua função de proteger o DNA.

Quando esse ponto é alcançado, significa que as células atingiram um estado de velhice e pararam de se dividir. O comprimento dos telômeros é medido em uma unidade chamada kilobase. No nascimento, eles têm um comprimento médio de 11 kilobases; ao atingir a velhice, o número é reduzido para 4.

O encurtamento dos telômeros e, portanto, a sua incapacidade de proteger o DNA parece ser a causa do envelhecimento e do aparecimento de doenças relacionadas à idade. Entre elas:

  • Problemas cardiovasculares
  • Doenças neurodegenerativas
  • Infertilidade
  • Diabetes
  • Alguns tipos de câncer

A telomerase e a juventude

É inevitável que os telômeros diminuam a cada nova divisão celular. No entanto, esse processo pode ser moderado graças a uma enzima chamada telomerase. A telomerase é capaz de regenerar, até um certo ponto, o comprimento desses componentes cromossômicos.

As células-tronco são um tipo de guardião de praticamente toda a telomerase. No entanto, a produção dessa enzima regeneradora diminui com a idade, e isso aumenta a taxa de deterioração celular. Em tese, se a produção de telomerase fosse mantida, teríamos uma juventude eterna.

 

No entanto, existe um problema. Há células que possuem telômeros muito longos e produzem uma grande quantidade de telomerase: as células cancerígenas. Estas não envelhecem e dividem-se profusamente. A conclusão, então, é de que a baixa produção de telomerase aumenta o envelhecimento, mas uma alta produção aumenta o risco de câncer.

Portanto, um dos problemas da ciência é manter a geração da telomerase sem causar o câncer. Já existem experimentos com ratos que deram resultados promissores. O objetivo de modular convenientemente a telomerase pode ser alcançado nas próximas décadas.

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A influência dos hábitos

Vários estudos comprovaram que os hábitos também afetam o encurtamento dos telômeros. Os fatores mais prejudiciais são:

  • Consumo de bebidas açucaradas
  • Fumar
  • Sedentarismo
  • Má qualidade do sono
  • Poluição

Foi detectado que o estresse crônico encurta os telômeros e que o cortisol, o hormônio do estresse, reduz a produção de telomerase. Em relação aos alimentos, não há dados conclusivos, mas foi encontrada uma relação entre telômeros mais longos e o consumo de vegetais, frutas, ômega 3 e café.

 

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Além disso, também foi observado que bebês alimentados exclusivamente com leite materno nas primeiras 4 a 6 semanas de vida têm telômeros mais longos aos 4 anos de idade. Por outro lado, telômeros mais curtos parecem estar associados à depressão emocional.

Hernández Fernández, R. A. (1999). Telómeros y telomerasas. Revista Cubana de Investigaciones Biomédicas, 18(2), 121-129.