Sabão, o inimigo do coronavírus

19 de março de 2020
Nos últimos dias, médicos e cientistas explicaram por que um simples sabão é um dos recursos mais importantes para impedir o contágio do coronavírus. O que devemos saber sobre esse assunto?

Nos últimos dias, o medo e a desinformação se espalharam junto com o novo coronavírus (COVID-19). Por isso, médicos, cientistas e entidades de saúde enfatizaram a importância de adotar medidas preventivas. Para isso, podemos contar com um inimigo do coronavírus: o sabão.

Através do Twitter, profissionais como Alberto Sicilia, doutor em física teórica, e Palli Thordarson, professor de química na Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, explicaram por que o sabão é uma das melhores opções contra esse vírus que está mantendo o mundo todo em alerta.

Por que o sabão é inimigo do coronavírus?

Lavar as mãos com frequência
Os componentes do sabão conseguem dissolver os lipídios da membrana dos vírus. Por isso, é o melhor produto para inativar esses microrganismos.

Para nos ajudar a entender por que o sabão é inimigo do coronavírus, os profissionais mencionados explicam, em primeiro lugar, que os vírus são “seres microscópicos” que precisam entrar nas células humanas para se multiplicarem, porque sozinhos não conseguem.

O coronavírus, em particular, é composto por três elementos: o material genético (RNA), algumas proteínas que permitem a adesão às células humanas e uma cápsula de gordura que o protege. É neste último elemento que o sabonete desempenha sua função como inimigo do vírus.

A composição do sabão inclui sais com substâncias semelhantes às gorduras, conhecidas como anfifílicos, que podem ter estruturas semelhantes aos lipídios na membrana do vírus. Graças a essas características, é um produto que pode agir de acordo com o ambiente em que estiver.

Portanto, essas moléculas entram para competir com lipídios na membrana do vírus, o que ajuda a dissolvê-la para desativar esse microrganismo que, na verdade, não é um ser vivo, mas pode se manter ativo fora do corpo durante horas e até dias.

Isso explica por que o sabão é inimigo do novo coronavírus e de muitos outros germes causadores de doenças. Por esse motivo, é importante garantir uma correta lavagem das mãos como medida preventiva a fim de evitar a disseminação desse agente infeccioso que está causando medo.

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O sabão pode matar o coronavírus?

O sabão ajuda a dissolver a membrana gordurosa que protege o vírus que, consequentemente, “cai como um castelo de cartas e morre” – segundo os especialistas. No entanto, como já afirmamos, os vírus não estão realmente vivos, e portanto não morrem. Na verdade, eles são inativados com sabão e uma correta lavagem das mãos.

O Dr. Dan McGee, pediatra do Hospital Infantil Helen DeVos, em Grand Rapids, Michigan, disse em entrevista ao jornal TODAY que “lavar as mãos é a segunda melhor maneira de prevenir uma infecção”.  A primeira opção é a vacina, se ela existir, é claro.

Infográfico sobre coronavírus
Fonte: Universidade de Burgos

Mas lavar as mãos é suficiente? Talvez não totalmente. No entanto, seu papel na prevenção de doenças infecciosas foi comprovado pela ciência. De acordo com uma pesquisa publicada em Cochrane Database of Systematic Reviews , lavar as mãos ajuda a impedir a propagação da doença.

Além disso, de acordo com a mesma fonte, esse hábito pode reduzir em até 54% as chances de contrair uma doença respiratória, o que supera o efeito de qualquer outra opção. Todos esses fatos foram apoiados por estudos mais recentes, como um do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Nessa pesquisa, foi constatado que melhorar as taxas de lavagem das mãos dos viajantes que visitam 10 dos principais aeroportos do mundo é determinante para reduzir a propagação de muitas doenças de origem infecciosa. 

Sabão e desinfetantes: qual é a melhor opção?

Desinfetante em gel
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os desinfetantes não são superiores ao sabão na limpeza e desinfecção das mãos. Na verdade, qualquer tipo de sabão pode ser útil.

A lavagem cuidadosa das mãos é uma das medidas mais importantes para prevenir a infecção e a disseminação de patógenos, como o coronavírus. No entanto, exatamente por causa do medo que se espalhou pelo mundo por causa dessa doença, muitas pessoas pensam que os desinfetantes são superiores ao sabão quando se trata de agir contra o vírus.

Será que isso é verdade? Especialistas em saúde e entidades como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) priorizam o uso de sabão. Até o momento, não há evidências que demonstrem que os sabonetes antibacterianos sejam superiores às versões normais na prevenção de doenças.

No entanto, se não houver água e sabão por perto, usar um desinfetante para as mãos com pelo menos 60% de álcool pode ajudar. Em locais como escritórios, por exemplo, pode ser útil ter por perto alguns lenços desinfetantes. O lado negativo é que o uso de sabão está sendo subestimado e o uso de desinfetantes tem sido absurdo, a ponto de se tornarem excessivamente caros.

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Optar pelo uso de sabão

É preciso deixar claro que o sabão, além de estar ao alcance de todos, é a melhor opção. Ele funciona em qualquer uma das suas versões: líquido, sólido, com aroma, para lavar louça, versões comercializadas apenas para homens ou mulheres, enfim, todos os tipos.

O mais importante a se considerar é que ele deve ser usado junto com a água e por, pelo menos, 20 segundos. Assim, devemos lavar as mãos sempre que necessário, pelo menos cinco vezes por dia, esfregando bem, lavando a mão toda, entre os dedos e até os pulsos.