Qual é a origem do coronavírus e por que ele não pôde ser erradicado?

22 de maio de 2020
Não há certezas absolutas sobre a origem do coronavírus, nem sobre a maneira como ele será erradicado. Se ele não se comportar de maneira diferente de outros vírus semelhantes, o mais provável é que vá perdendo intensidade, ao mesmo tempo em que os cientistas buscam desenvolver um medicamento que possa limitá-lo.

A pandemia de COVID-19 tem ocupado as manchetes dos principais meios de comunicação do mundo, especialmente nos últimos dois meses. No entanto, muitas pessoas continuam sem saber qual é a origem do coronavírus e também não entendem por que ele ainda não foi erradicado.

Diante da questão da origem do coronavírus, existem vários tipos de teorias, alimentadas muitas vezes pelas notícias falsas que circulam nas redes sociais. Elas falam desde uma conspiração ultrassecreta ou de um ataque bioquímico, até o cumprimento de profecias anunciadas por videntes.

Do mesmo modo, em relação à questão de por que não foi possível erradicá-lo, também há uma infinidade de opiniões. Alguns responsabilizam os governos por suas decisões erráticas, enquanto outros simplesmente pedem para esperarmos o tempo necessário para que as soluções, que devem vir do lado da ciência, apareçam.

Qual é a origem do coronavírus?

A origem do coronavírus é um dos muitos aspectos sobre os quais não há certezas absolutas. O que existem são teorias: algumas mais baseadas em evidências do que outras, mas nenhuma conclusiva. A primeira coisa a esclarecer é que os coronavírus são uma família numerosa e não é a primeira vez que são transmitidos para os seres humanos.

A teoria mais aceita é de que o atual SARS-CoV-2 veio dos morcegos e foi transmitido para os seres humanos por uma via indireta. Aparentemente, os morcegos transmitiram o vírus aos pangolins que, por sua vez, o transmitiram ao homem. Os pangolins são animais exóticos que são comercializados para consumo humano e com fins medicinais.

Também existe outra teoria que vem ganhando força. Ela defende que não houve participação de morcegos e que o vírus foi transmitido diretamente dos pangolins para o ser humano. De fato, uma equipe de cientistas descobriu dois coronavírus muito parecidos com o SARS-CoV-2 nesses animais.

Muitos dos vírus que atingiram a humanidade ao longo da história tiveram origem em animais. Pelo mesmo motivo, é mais plausível que a origem do coronavírus SARS-CoV-2 também seja zoonótica. Ele poderia ter sido feito em laboratório? Sim, é claro, mas não há evidências de que isso tenha acontecido.

Morcego voando
Uma das teorias mais aceitas é de que o SARS-CoV-2 teve origem nos morcegos.

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A erradicação do coronavírus

A verdade é que os humanos não têm sido particularmente eficazes na erradicação dos vírus. Desde tempos antiquíssimos, o homem tem travado grandes batalhas contra os vírus e as bactérias. No entanto, até agora a varíola e a peste bovina são as únicas duas doenças que foram completamente erradicadas.

O coronavírus não é o primeiro nem o mais mortal dos vírus que atacaram o homem. O perigo da COVID-19 não é sua letalidade, mas seu alto índice de transmissão. O problema com esse vírus, ou qualquer outro, é que ele infecta um número elevado de pessoas ao mesmo tempo. Como temos observado, isso leva ao colapso dos sistemas de saúde.

Em condições ideais, isto é, em uma situação em que todas as pessoas que precisassem de cuidados especiais para essa doença fossem adequadamente atendidas, a mortalidade provavelmente seria menor do que 1%. Por outro lado, em condições reais, a taxa de mortalidade pode aumentar muito acima desse percentual, não por causa do vírus, mas pela impossibilidade de atender os casos graves.

Leitos em hospitais
O problema do coronavírus é seu alto índice de contágio, que pode saturar os sistemas de saúde.

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O que vai acontecer com o coronavírus?

Considerando que a transmissão do coronavírus se tornou global, o mais provável é que ele não vá desaparecer. O mais comum é que todos esses vírus se tornem mais inofensivos ao longo do tempo, pois seu objetivo não é matar o organismo em que conseguem entrar. Afinal, eles precisam desse organismo para continuar se multiplicando.

Como o coronavírus é um vírus novo, não há certezas sobre como ele vai se comportar. Se seguir a linha de outros vírus semelhantes, provavelmente vai se atenuar gradualmente para se adaptar aos seres humanos. No hemisfério norte, também é esperado que os casos diminuam no verão e que ocorra uma segunda onda de contágio no próximo inverno.

Enquanto isso, muitos pesquisadores no mundo todo estão trabalhando para encontrar medicamentos antivirais para o SARS-CoV-2. O objetivo desses fármacos seria limitar a capacidade do vírus de se multiplicar em um organismo. Da mesma forma, a vacina para essa doença pode ficar pronta nos próximos 10 a 18 meses.

Aprender a conviver

Após os surtos epidêmicos de quase todos os vírus, a humanidade precisa aprender a conviver com eles. Chega um momento em que as partículas virais passam a fazer parte do ambiente e o número de contágios fica estável. Independentemente da origem do coronavírus, que pode ou não ser desvendada um dia, é essencial que as populações tracem um caminho futuro em relação à presença do SARS-CoV-2 entre elas.

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