O que é uma família disfuncional e como ela pode afetar os filhos?

24 de maio de 2018
Uma família disfuncional é toda família que não é capaz de prover o necessário para que os filhos cresçam saudáveis (tanto física quanto emocionalmente) e felizes. Conheça as suas características neste artigo.

Disfuncional significa que existe uma desordem no funcionamento ou na função que lhe corresponde. Quando este qualificativo se aplica à família, fala precisamente do mesmo: uma família que não cumpre com as funções que lhe correspondem, uma família disfuncional.

Uma família é muito mais do que a soma de individualidades, é um sistema dinâmico e flexível de inter-relações entre seus membros que acontecem para cobrir as necessidades materiais, sociais, culturais, espirituais e afetivas de todos.

Em uma família funcional todas essas necessidades estão satisfeitas. Se existem conflitos ou crises, seus integrantes se complementam e se apoiam para achar soluções, alcançar o desenvolvimento pleno e, em essência, serem felizes. Na família disfuncional a situação é totalmente oposta.

Como se forma uma família disfuncional?

Em uma família disfuncional, é possível encontrar mais de uma das situações que serão descritas a seguir. A presença de qualquer uma destas variedades é um chamado de atenção para toda família que se considere “funcional”, e pode ser evidente a necessidade de procurar terapia familiar.

Dependência e manipulação emocional

Menino sem atenção na escola

A dependência emocional limita o crescimento e o desenvolvimento pessoal. A superproteção dos pais gera insegurança e dependência nos filhos. Se um dos pais for muito imaturo, pode ser manipulado e subjugado pelo outro.

Violência intrafamiliar

Um dos pais exerce um domínio absoluto e autoritário, enquanto o resto da família aceita estar subjugado. Existe abuso físico, verbal ou sexual. O outro pai e os filhos negam o abuso evidente. As crianças consideram a violência normal.

Muito autoritários ou muito permissivos

Os limites que regulam a convivência familiar ou são inflexíveis e coagem toda expressão das diferentes personalidades, ou são muito relaxados, não existe respeito e as crianças não criam vínculos de pertencimento com a família.

Problemas na comunicação

Pais brigando na frente do filho

Não se sentem cômodos expressando o que sentem ou pensam. Se reprimem ou usam indiretas que geram mais problemas. As crianças ativam comportamentos de maneira defensiva. Existe medo de expressar o que vivem dentro de casa.

Não existe empatia

Como as necessidades básicas de aceitação e afeto não são satisfeitas, os membros da família não são empáticos nem sensíveis entre eles. Não existe tolerância e eles culpam uns aos outros. Algumas crianças são e se sentem rejeitadas, ou são injustamente tratadas.

Preconceitos de gênero

Os pais preferem os filhos de um gênero. Designam responsabilidades excessivas ou negam a educação e o afeto aos filhos de outro gênero. Os pais querem impor sua orientação sexual aos filhos, sejam heterossexuais ou homossexuais.

Comportamentos inapropriados

Pai consolando a filha

Aceita-se a humilhação, o desprezo e a falta de respeito. Aceitam-se como normais comportamentos como o adultério, a promiscuidade ou o incesto.

Conflitos

Existem conflitos permanentes entre os pais, seja porque estão separados ou porque devem se separar, mas não o fazem. O conflito entre os pais os impede de velar pelos filhos.

Isolamento

As crianças não compartilham tempo com a família estendida (avós, tios, primos), tampouco com outras família com crianças em idades e gêneros similares. Os pais não facilitam que as crianças desenvolvam amizades com outras crianças.

Ausência

Os pais estão ausentes pelo excesso de trabalho ou por outros vícios (álcool, drogas, apostas). Não existe tempo para compartilhar em família.

Responsabilidades excessivas

Crianças brincando com flores

As crianças são obrigadas a assumir responsabilidades que estão em desacordo com sua idade: trabalho forçado, cuidar de irmãos menores ainda sendo pequenos.

Como uma família disfuncional afeta os filhos?

As crianças podem desenvolver alguns destes comportamentos ao crescer no seio de uma família disfuncional:

  • São rebeldes. Opõem-se a toda autoridade, seja a dos pais, dos professores ou da polícia.
  • Ao serem culpabilizados por todos os problemas familiares, desenvolvem um profundo sentimento de culpabilidade, o que os torna vítimas de outros.
  • Assumem o papel dos pais, crescem muito rapidamente e perdem sua infância.
  • São tímidos e calados, aprendem a esconder e a reprimir suas emoções. Sua autoestima é lesionada.
  • São oportunistas e manipuladores. Aproveitam-se das fraquezas dos demais para conseguir o que querem.

Isso é irreversível?

Sem dúvidas, o ambiente familiar marca a vida futura das crianças. Os primeiros 6 anos de vida são cruciais neste sentido. Mas, também é certo que qualquer criança pode decidir ser um adulto diferente de tudo que viveu ao crescer em uma família disfuncional.

A melhor evidência disso surge quando um filho de uma família funcional se converte em um adulto com problemas comportamentais ou, pelo contrário, uma criança criada por uma família disfuncional se converte em um adulto empático, comunicativo, com relações assertivas e feliz.

Toda pessoa é capaz de se recuperar das situações mais adversas, ser uma pessoa resiliente que possa superar uma infância traumática e se converter em um adulto feliz.

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