Característica física vinculada ao autismo: pesquisa

19 de abril de 2019
O autismo é uma doença de recente descoberta. É por isso que, frequentemente, saem novos descobrimentos sobre a doença.

O autismo é um transtorno neurobiológico de recente descrição. De fato, foi individualizado como entidade em meados do século XX nas mãos do psiquiatra Leo Kanner. Desde então, foram feitos uma infinidade de estudos que renovaram e ampliaram o que se conhece acerca desta doença.

Breve história do autismo

Ao nomear o autismo em geral, na realidade estamos nos referindo aos transtornos do espectro autista. É uma entidade ampla que compreende vários transtornos neurobiológicos de desenvolvimentos similares, mas diferentes. No entanto, nem sempre foi assim. De fato, o termo autismo foi criado para designar um sintoma da esquizofreniaA palavra vem do grego autos, que se refere a si mesmo.

Mais tarde se centrou na psicologia infantil, como crianças que têm dificuldade para conseguir contato afetivo e apresentam condutas estereotipadas. De modo que, a princípio, englobava-se dentro das psicoses; ademais, atribuía-se causa psicogenética.

Conceito de “espectro autista”

No autismo, o comportamento é repetitivo

O autismo se engloba dentro do “espectro autista”, com diferentes graus e subgrupos.

Assim, o autismo estaria relacionado com o tratamento frio dos pais para com os filhos durante os primeiros meses de vida. Felizmente, o conhecimento disponível acerca da doença foi aumentando graças a sucessivos estudos. Graças a eles, surgiu o conceito de “espectro autista”. Começaram a distinguir então várias síndromes em função de suas peculiaridades. Um exemplo disso é a síndrome de Asperger: as pessoas que sofrem com a doença não apresentam atraso no desenvolvimento da linguagem.

Começou a mudar também a concepção da causa desses transtornos. Hoje em dia, aceita-se que obedece a causas genéticas, epigenéticas e ambientais durante a embriogênese.

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Transtornos do espectro do autismo (TEA)

Em todo o leque dos transtornos do espectro do autismo, os sintomas fundamentais são:

  • Deficiências persistentes na comunicação e na interação social.
  • Padrões restritivos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.

Estes sintomas encontram-se presentes nas primeiras fases do desenvolvimento. No entanto, podem não se manifestar totalmente até que as demandas sociais superam as limitações.

Primeiros indícios

Sinal de autismo: sensibilidade a barulhos fortes

Desde pequenos, os comportamentos repetitivos, de linguagem e de interação social aparecem vinculados com o autismo.

Os primeiros indícios de autismo costumam se manifestar por volta dos três anos de idade. Contudo, muitos antes dos 3 anos, é frequente que as crianças com autismo não apresentem sorriso social. O sorriso social é o primeiro sorriso que aparece. É gerado somente em resposta a um estímulo, por exemplo, da mãe ou do pai. Apresentam hipersensibilidade ante estímulos tácteis, auditivos, olfativos e gustativos. Costumam evitar o contato pessoal e visual; ademais, utilizam uma linguagem muito literal.

Não compreendem piadas, duplos sentidos nem metáforas. Tampouco desenvolvem brincadeiras simbólicas, como brincar de casinha ou de carrinho como se fossem reais. Seus interesses costumam ser incomuns, repetitivos e não compartilhados. As crianças com autismo apresentam muito pouco interesse por outras crianças.

Além disso, desde pequenos não mostram seus interesses (como por exemplo indicando com o dedo). Seus comportamentos costumam ser também incomuns e repetitivos, além de serem autoestimulantes (como o balançar).

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Nova característica física vinculada ao autismo

Recentemente, a Universidade La Trobe de Melbourne (Austrália) desenvolveu um estudo relacionado com crianças autistas. Parece que encontrou uma característica física vinculada ao autismo. Neste estudo, foi descoberto que, em média, as crianças com autismo nascem com algumas peculiaridades físicas vinculadas ao autismo:

  • 4,8 centímetros menores.
  • 0,2 kg a menos de peso.
  • Circunferência cranial 1,2 centímetros menor.

No entanto, também foi descoberto que aos três anos de idade as crianças com autismo superavam em tamanho as crianças neurotípicas. A doutora Cherie Green se dedicou a retirar conclusões desses resultados. Parece que tudo isso se deve a um desequilíbrio no hormônio do crescimento gerado pelas crianças autistas.

Sobre este estudo

É claro que este foi um estudo de relativa pequena escala. Participaram 134 crianças com autismo e 74 crianças neurotípicas. Além disso, nenhum estudo anterior o atesta. De fato, o único estudo anterior que foi realizado a este respeito não encontrou diferenças entre as crianças.

Por outro lado, não foram envolvidas meninas no estudo. Este dado é de especial importância, levando em consideração que os transtornos do espectro autista se desenvolvem com diferenças consideráveis em meninos e meninas.

No entanto, de acordo com a doutora Cherie Green, o estudo sim poderá ser útil para identificar subgrupos de autismo. Assim sendo, a princípio, as pessoas com mutações no gene CHD8 teriam a cabeça maior, enquanto que as pessoas com o gene DYRK1A mutado teriam a cabeça menor.

Além disso, este tipo de pesquisa poderia trazer outras novidades. Uma delas seria o de poder determinar quais mecanismos (fora do cérebro) estão relacionados ao desenvolvimento da doença e como agem. O seguinte passo neste estudo será examinar o crescimento em adolescentes.

  • Mccormick, C., Hessl, D., Macari, S. L., Ozonoff, S., Green, C., & Rogers, S. J. (2014). Electrodermal and behavioral responses of children with autism spectrum disorders to sensory and repetitive stimuli. Autism Research. https://doi.org/10.1002/aur.1382
  • Green, C., Dissanayake, C., & Loesch, D. (2015). A review of physical growth in children and adolescents with Autism Spectrum Disorder. Developmental Review. https://doi.org/10.1016/j.dr.2015.02.001
  • Green, C. C., Dissanayake, C., Loesch, D. Z., Bui, M., & Barbaro, J. (2018). Skeletal Growth Dysregulation in Australian Male Infants and Toddlers With Autism Spectrum Disorder. Autism Research. https://doi.org/10.1002/aur.1952