Albinismo: o comovente caso da modelo Thando Hopa

· 22 de junho de 2015

Neste artigo queremos falar de uma realidade que não é muito conhecida. Estamos seguros de que, em mais de uma ocasião, você viu uma pessoa albina, ou inclusive é possível que, em seu círculo social, você conheça alguém albino. Como já se sabe, o albinismo é uma doença genética caracterizada por uma hipopigmentação da pele, do cabelo e dos olhos.

A essa falta de melanina se unem doenças muito sérias de pele devido à sensibilidade solar. Não é fácil ser albino, mas é ainda pior sofrer com esta alteração genética em um continente como a África. O que ocorre está sendo denunciado por uma jovem modelo chamada Thando Hopa. Ela é quem dá voz a esta realidade tão terrível, e que queremos explicar aqui.

A modelo Thando Hopa 

Modelo Thando Hopa 

Thando Hopa tem 24 anos e, além de modelo, é advogada. Considera a si mesma uma afortunada, porque nascer com albinismo na África é quase que uma maldição.

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Estudou em Johannesburgo, onde começou a chamar atenção rapidamente por seu físico delicado e chamativo que tanto brilhava nas passarelas e nas capas de revistas. Thando é uma das poucas modelos albinas que existem no mundo.

Talvez foi por seu sucesso e por sua repercussão que escolheu estudar Direito, para dar voz ao drama social que ocorre na África e que muitos desconhecem.

A maldição de ser albino na África

A maldição de ser albino na África

Você ficará surpreso ao saber que a África é um dos continentes com mais albinos. Especialmente na Tanzânia.

Os especialistas desconhecem as causas específicas deste fenômeno, mas suspeita-se que possa ser devido à consanguinidade e aos povos originários da Europa que puderam chegar a esta zona do continente africano. Na África, a população de albinos supera em 15% a do resto do mundo.

Segundo explica a mesma Thando Hopa, ser albino na África supõe, em primeiro lugar, um problema físico e, depois, um drama social. Devido ao rigor do sol e aos escassos recursos, muitas pessoas sofrem câncer de pele e cegueira por não possuir proteções. Somado a isso, devem enfrentar o desprezo do resto das pessoas.

Os albinos são chamados de “Zeru-Zeru”, ou seja, filho do diabo ou fantasmas. Pensa-se que o albinismo é resultado de um pecado cometido pelos pais ao estabelecer um pacto diabólico, e cujas marcas se refletem na palidez dos filhos. Daí a repulsa e o fato de muitas mães chegarem a abandonar seus filhos.

Um albino vivo não vale nada, no entanto, um albino morto é tão valioso quanto um diamante. A razão? Inúmeras etnias, grupos sociais africanos e bruxos dos povoados pensam que o sangue e os órgãos de um albino têm propriedades mágicas ou curativas.

Como com o albinismo, acontece algo similar com a terrível realidade dos chifres dos rinocerontes ou o marfim dos elefantes: pagam-se altas quantias por eles e não existe dúvida quando se trata de mutilar e, inclusive, matar.

A realidade do albinismo na África

A realidade do albinismo na África

É uma realidade lamentável denunciada por inúmeras organizações humanitárias. É frequente aparecerem no meio da noite grupos de homens armados dispostos a mutilar ou até matar crianças e adultos albinos.

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Pagam-se quantias altíssimas por seu sangue e seus órgãos. Por isso, pessoas sem escrúpulos e guiados por esse absurdo não hesitam no momento de cometer estes atos atrozes.

O albinismo na África é uma autêntica maldição, por isso pessoas como Thando Hopa dão voz a este drama. Além disso, muitas organizações internacionais tentam dar uma cobertura social para estas pessoas que, principalmente na Tanzânia, correm este perigo.

Apesar disso, sabe-se que a cada ano morrem muitas pessoas albinas, seja pelo ataque dessas pessoas sem coração, ou mesmo por problemas relacionados com sua doença que não são atendidos adequadamente. Queimaduras na pele, feridas infectadas e câncer tendem a ser os principais problemas.

Hoje em dia são muitas as crianças que, por exemplo, devem aprender a viver sem seus pés ou suas mãos. Muitos não perdem o sorriso, apesar de que, em certos casos, ser diferente e especial, pode chegar a ser o pior dos estigmas em determinadas sociedades.

  • Hong, E. S., Zeeb, H., & Repacholi, M. H. (2006). Albinism in Africa as a public health issue. BMC Public Health. https://doi.org/10.1186/1471-2458-6-212