Não gosto do meu corpo, mas aprendi a aceitá-lo

· 9 de janeiro de 2017
Deixe de buscar o impossível e comece a aceitar seu corpo assim como ele é. Suas medidas talvez não sejam um modelo, mas seu corpo é perfeito em si.

Meu corpo não é perfeito, mas nem o das minhas amigas, irmãs, conhecidas… Até aqueles que eu considero impecáveis têm algum defeito.

Vivemos numa sociedade na qual cada corpo é manipulado. Na televisão, nas redes sociais, na publicidade… Acreditamos que são reais e, no entanto, são completamente artificiais.

E o que dizer do que podemos encontrar na internet? Conselhos e fotos que incentivam a seguir padrões de beleza ridículos.

Inclusive, às vezes, incitam a alcançar metas que não fazem sentido.

Descubra: Os perigos da anorexia

Lembramos de padrões de “beleza” como o do espaço entre as coxas, ou da barriga chapada, ou de clavículas que segurem moedas sem nenhum problema.

Isso não é uma piada. Muitas pessoas levam esse tipo de “padrão” a sério. Existem muitas jovens que, por causa deles, desenvolverão transtornos como a bulimia e a anorexia.

Meu corpo não é perfeito, e daí?

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Afastar-se dos dogmas de beleza implica não fazer parte de um grupo cheio de pessoas que achamos que têm o que desejamos.

Sempre tentamos não ser rejeitados e, para isso, às vezes deixamos de lado nossa autêntica forma de ser. Apenas para podermos pertencer a um grupo.

No entanto, olhe ao seu redor. Quem é realmente perfeito? Curiosamente, esse protótipo que se tem em mente não é visto com frequência pela rua. Apenas em revistas, fotos, vídeos publicitários…

Quando uma pessoa tem um transtorno alimentar, quer conseguir o que está vendo. No entanto, o que se reflete no espelho é algo totalmente distinto.

No fim, deixam de querer pertencer a esse grupo de pessoas perfeitas e optam por entrar em outro: indivíduos que compartilham de suas mesmas aspirações.

Leia: É preciso ser feliz, e não perfeito

Alguma vez já entrou num fórum ou site que estimule a anorexia e a bulimia?

Na internet há muitos, e ver a quantidade de seguidores que têm faz com que levemos as mãos à cabeça.

Dessa maneira, pode-se descobrir como as pessoas incentivam umas às outras para passarem um dia ou outro sem comer, para vomitar e não deixar nada em seu interior, para seguir adiante em direção a uma morte certa.

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Enquanto isso, compartilham fotos de si mesmas e de famosas que estão magras e esbeltas. Mas… alguém reparou no Photoshop?

Atualmente, confiar que uma imagem não está adulterada é como acreditar que se pode confiar em todo mundo.

Nada é o que parece.

A aceitação serve para curar

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Não é preciso ser como as outras pessoas. De fato, em muitos âmbitos somos premiados por sermos diferentes. Muitas pessoas conseguiram o sucesso realizando ideias que, para muitos, eram sinônimo de loucura.

Não perca: Aprender a se aceitar

Compreende que o ser humano não foi feito para não comer. Além disso, se ama os animais, gostaria de vê-los desnutridos?

Ou, no caso das crianças que aparecem na televisão mortas de fome, parece que é maravilhoso que seja assim?

Não estão saudáveis, e o que não é saudável não é bonito.

Seu corpo é diferente do meu corpo, e isso não é negativo. Aí é que reside o interessante. Porque “para muitos gostos, muitas cores”.

Quer ter uma cintura mais fina, mas sua constituição não é assim. Deseja um quadril menos voluptuoso, mas seus ossos não diminuirão ao deixar de comer.

Por mais que queira, há coisas que não poderá mudar, e não lhe restará outra saída a não ser aceitar. Dessa maneira, deve-se refletir sobre o que é que lhe faz feliz realmente.

Talvez não tenha se dado conta, mas preocupar-se tanto com a perfeição do corpo fez com que se privasse do que antes agradava. Quando não se obcecava tanto com a comida, era mais feliz.

Agora, ficou obcecada com algo impossível. Consegue perder peso, mas se encontra pele e ossos, com um corpo que não se parece em nada com o que desejaria ter.

Para sair disso, aceite seu corpo.

Certamente há muitas outras coisas de que gosta nele; no entanto, em seu desejo de se parecer com outras pessoas, elas estão sendo esquecidas.

Não gosta do seu corpo? Não importa, este não é um crime. Um crime é não aceitá-lo.

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Goste de você como é, sem se comparar, sem desejar ser quem não é. Não faça com que seu corpo seja uma válvula de escape para seus medos, frustrações e inseguranças.

Ele não tem culpa de você não aceitá-lo como ele é. Perfeitamente imperfeito.

  • Garrini, S. P. F. (2007). Do corpo desmedido ao corpo ultramedido: reflexões sobre o corpo feminino e suas significações na mídia impressa. In Congresso Nacional de História da Mídia (Vol. 5).
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