O coronavírus não é transmitido pelo ar, de acordo com a OMS

23 de maio de 2020
Uma publicação recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o coronavírus não é transmitido pelo ar e que o uso de máscaras faciais deve ser feito de maneira consciente. Vamos explicar melhor essa afirmação neste artigo.

Regularmente, tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto cientistas independentes publicam descobertas relacionadas ao coronavírus. Uma curta declaração recente da OMS afirma que o coronavírus não é transmitido pelo ar, e que esse fato deve ser levado em conta para a administração de recursos durante a pandemia.

Esses dados visam alimentar o corpo de conhecimentos sobre a doença para agir em consequência. É com base nessas descobertas que as medidas preventivas impostas pelos países são aprimoradas.

O isolamento social regulamentado e as quarentenas obrigatórias se baseiam em projeções científicas de que a taxa de contágio é reduzida dessa maneira. A lavagem frequente das mãos e o uso de máscaras para os infectados também respondem à lógica científica.

O que a OMS está considerando neste momento é um lembrete sobre a transmissão do coronavírus, que não é aérea. Esse conhecimento já existia e já havia sido publicado, mas muitas vezes não é levado em consideração.

O fato de o coronavírus não ser transmitido pelo ar implica que seu meio de transmissão real é o que deve ser evitado. Para isso, existem orientações precisas quanto ao uso de máscaras e a desinfecção de superfícies.

O que a OMS diz sobre a transmissão aérea do coronavírus?

A OMS publicou um breve relatório em 29 de março, atualizando um relatório anterior do dia 27. Consiste em apenas duas páginas e reúne as evidências sobre a transmissão do coronavírus.

O relatório afirma que o coronavírus não é transmitido pelo ar, e sim por gotículas respiratórias. Essas gotas são expelidas por pessoas infectadas e percorrem uma certa distância em suspensão até que se rompem.

Como a OMS deixa claro, há uma diferença substancial entre a transmissão aérea e a transmissão por gotículas. Os vírus que podem infectar estando suspensos no ar são aqueles que têm a capacidade de resistir ao meio ambiente sem se destruir.

Esse não é o caso do SARS-CoV-2, que usa gotículas respiratórias para se mover, perdendo grande parte de sua capacidade de resistência ao se separar do envoltório conferido pelas gotas. Segundo o relatório, na China não foi possível confirmar a transmissão aérea pura do vírus.

O coronavírus não é transmitido pelo ar, mas também não é errado dizer que a transmissão às vezes ocorre por meio do ar. Sempre esclarecendo, contudo, que o veículo de transmissão é a gotícula respiratória expelida pelo nariz ou pela boca de uma pessoa infectada.

Mulher tossindo em sua casa
O coronavírus é transmitido por gotículas respiratórias expelidas com a tosse.

Continue lendo: Como o coronavírus infecta as células

Quanto tempo o coronavírus permanece no ambiente?

Juntamente com essa questão da transmissão aérea, a OMS também esclarece algumas dúvidas sobre a permanência do SARS-CoV-2 em superfícies. Muitas gotículas respiratórias expelidas pelos infectados são depositadas nos objetos e, a partir daí, podem contaminá-los.

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine analisou a “durabilidade” do coronavírus simulando sua expulsão com máquinas. Essas máquinas criam aerossóis com partículas virais para estudar sua dispersão.

A OMS pede para não considerarmos esses resultados aplicáveis à vida real, pois máquinas que expelem gotículas com vírus não têm a mesma potência que o nariz ou a boca dos humanos. Portanto, não podem ser comparados.

Com base nas evidências disponíveis, não se pode afirmar que o SARS-CoV-2 permaneça nas gotículas respiratórias por mais de 3 horas, nem que possa se deslocar por mais de 2 metros. Essas são algumas dicas para o distanciamento social que tem sido imposto.

Descubra também: Os alimentos podem estar contaminados com o coronavírus?

Se o coronavírus não é transmitido pelo ar, quando devemos usar máscaras?

Com base nas orientações da OMS, e acrescentando esse conhecimento sobre a transmissão do coronavírus, são duas as situações em que se recomenda o uso das máscaras:

  • Os infectados confirmados com COVID-19 e os casos suspeitos por contato próximo com infectados ou por terem viajado para áreas com alta transmissão do vírus.
  • Os profissionais da saúde em locais de atendimento e quando circularem em locais públicos, assim como pacientes com sintomas compatíveis ao realizar consultas e em salas de espera.

A máscara recomendada é classificada como FPP2. A máscara cirúrgica não é eficaz para as gotículas respiratórias e pode até ser contraproducente em uma pessoa não infectada.

Homem andando de máscara por uma cidade
As máscaras eficazes para prevenir o coronavírus são as FPP2, e não as cirúrgicas.

Administrar os recursos em tempos de pandemia

Sabendo que o coronavírus não é transmitido pelo ar e que as máscaras não devem ser usadas por toda a população o tempo todo, devemos ser responsáveis com o seu uso. As máscaras não são infinitas e são uma prioridade para as equipes de saúde.

Cabe a nós, como parte responsável no controle do coronavírus, administrar os recursos existentes. Portanto, as máscaras devem ser reservadas para indicações específicas, protegendo, assim, os mais vulneráveis.

  • Ong, Sean Wei Xiang, et al. “Air, surface environmental, and personal protective equipment contamination by severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2) from a symptomatic patient.” Jama (2020).
  • van Doremalen, Neeltje, et al. “Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1.” New England Journal of Medicine (2020).
  • Lai, Shengjie, et al. “Preliminary risk analysis of 2019 novel coronavirus spread within and beyond China.” 2020-02-03]. https://www. worldpop. org/events/china (2020).