Como o coronavírus afeta a pele?

22 de maio de 2020
Alguns estudos científicos realizados recentemente descreveram como o coronavírus afeta a pele, tanto diretamente quanto por causa das medidas de proteção. Explicamos quais são esses sintomas e como identificá-los a seguir.

A COVID-19, doença causada pelo coronavírus, tem os sintomas respiratórios como principal indício da sua presença. No entanto, também há registros a respeito de como o coronavírus afeta a pele e outros órgãos e sistemas do nosso corpo.

Lembremos que a tríade de sintomas clássicos da infecção por SARS-CoV-2 é composta por febre, tosse e cansaço, o que pode evoluir para uma falta de ar. Em alguns pacientes, também foi registrada a perda do olfato e a vermelhidão ocular.

O catálogo de sintomas desta pandemia está em discussão desde o seu início. Às vezes, os profissionais de saúde fazem alertas a respeito de um sinal específico, mas as associações médicas não os incorporam aos protocolos. Ou, pelo contrário, uma associação médica lança um comunicado solicitando que os pacientes sejam avaliados de acordo com novos critérios, mas a Organização Mundial da Saúde os rejeita.

Esta situação contraditória é própria de uma pandemia em desenvolvimento. Ainda não sabemos qual será o alcance final da COVID-19, nem sabemos se haverá reinfecções e novas ondas de contágio, como já se especula na China, que estava encerrando suas quarentenas mais rígidas.

Assim, chegamos à questão dermatológica vinculada ao SARS-CoV-2, na qual há dois pontos a considerar: os sintomas diretos relacionados à forma como o coronavírus afeta a pele e as consequências causadas na pele por causa da quarentena. Vejamos cada um deles a seguir.

O coronavírus afeta a pele?

Dermatologistas de todo o mundo concordam que o vírus SARS-CoV-2 não é dermatológico. Esta palavra quer dizer que o coronavírus não afeta a pele diretamente, ou seja, não se instala nas células dérmicas.

No entanto, uma carta ao editor do Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology enviada por um dermatologista italiano relata sintomas cutâneos entre pacientes internados por COVID-19. Segundo a carta citada, 20% dos pacientes atendidos por este profissional apresentavam algum dos seguintes sintomas:

  • Exantema.
  • Urticária.
  • Vesículas.

Estas lesões dérmicas surgiram durante ou depois da hospitalização, mas não tiveram relação com o nível de gravidade da infecção. Ou seja, o coronavírus pode ter infectado a pele destas pessoas sem que isso fosse indicativo de um prognóstico melhor ou pior.

A advertência deste profissional italiano destaca a proteção que seria necessária para evitar o contágio. Embora ressalte que a transmissão comprovada ocorre através de gotículas respiratórias, fala sobre a importância de reforçar o uso de barreiras físicas para não entrar em contato com estas possíveis lesões associadas.

Bolhas na pele
Um dermatologista italiano fez um alerta a respeito da presença de vesículas na pele de pacientes com COVID-19.

Leia também: É possível transmitir o COVID-19 depois de ter se recuperado?

Doenças de pele causadas pela quarentena

O coronavírus não apenas causa problemas pela infecção em si, mas também pelo isolamento imposto aos cidadãos. A quarentena causa seus próprios transtornos decorrentes do isolamento, do uso de produtos de limpeza e da falta de exposição à luz solar.

Poderíamos dizer que o coronavírus afeta a pele indiretamente nesses casos. Foram registrados casos de dermatite pela lavagem excessiva das mãos e pelo uso inadequado do álcool em gel, bem como úlceras por pressão por permanecer muito tempo na mesma posição.

Os eczemas nas mãos causados pelos produtos de limpeza não são novos. Sempre houve casos de dermatite por irritação química. O problema atual é a exacerbação do uso desses produtos. Algumas pessoas estão obcecadas em lavar as mãos e usam quantidades inadequadas de produtos desinfetantes.

A isso devemos adicionar a pouca exposição solar por causa da quarentena. Ao permanecer dentro de casa por tanto tempo, sem a possibilidade de entrar em contato com os raios ultravioleta em quantidades suficientes, diminuímos a nossa produção de vitamina D.

A vitamina D tem um papel fundamental para a saúde da pele. Ela é protetora das células dérmicas e do seu metabolismo. Por isso, recomenda-se que os cidadãos que possam fazer isso se exponham à luz solar nas janelas ou terraços de suas casas, ainda que seja por poucos minutos todos os dias.

Lavar as mãos com frequência
Lavar as mãos de forma excessiva pode causar eczemas ou dermatites.

Você também pode se interessar: Recomendações sobre o coronavírus para pessoas com asma

A pele dos profissionais de saúde

Outro ponto importante a respeito de como o coronavírus afeta a pele tem como protagonistas os profissionais de saúde. Devido aos equipamentos de proteção usados por médicos e enfermeiros, sua pele sofre.

Os sistemas de proteção pessoal recomendados nos protocolos incluem luvas, máscaras e toucas. Isso pode ser associado a dermatites ou eczemas nas mãos e no rosto. Além disso, o couro cabeludo pode desenvolver foliculite e dermatite seborreica.

É importante que os profissionais de saúde sigam uma rotina de cuidados com a pele uma vez que retirem o equipamento de proteção. É preciso lavar as mãos corretamente para remover substâncias das luvas e retirar o látex. Tomar um banho seria a medida mais adequada.

O uso de cremes hidratantes também pode favorecer a proteção da pele, mas os profissionais de saúde não costumam ter este hábito. Segundo os estudos citados anteriormente, apenas 22% dos médicos e enfermeiros aplicam estes cremes no final do dia de trabalho.

O coronavírus afeta a pele e afeta os nossos hábitos

Seja de maneira direta ou indireta, o coronavírus afeta a pele humana. Talvez seja um efeito infeccioso nas próprias células, mas é mais provável que se trate de um efeito derivado das medidas de proteção. Está claro que a COVID-19 mudou os nossos hábitos, e é importante que mantenhamos as alterações que foram feitas em nosso benefício no futuro.

  • Darlenski, Razvigor, and Nikolai Tsankov. “Covid-19 pandemic and the skin-What should dermatologists know?.” Clinics in Dermatology (2020).
  • Elston, Dirk M. “Letter from the Editor: Occupational skin disease among healthcare workers during the Coronavirus (COVID-19) epidemic.” Journal of the American Academy of Dermatology (2020).
  • María, Macias. “Study on relationship between Vitamin D and risk for various diseases.” Archivos Latinoamericanos de Nutrición 70.3 (2020).
  • Yan, Yicen, et al. “Consensus of Chinese experts on protection of skin and mucous membrane barrier for healthcare workers fighting against coronavirus disease 2019.” Dermatologic Therapy (2020): e13310.
  • Recalcati, S. “Cutaneous manifestations in COVID‐19: a first perspective.” Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology (2020).