Como ajudar as crianças com autismo durante a quarentena?

22 de maio de 2020
O cuidado das crianças com autismo durante a quarentena deve se concentrar em criar um ambiente tranquilo, com rotinas específicas e informações claras sobre o que está acontecendo. Os cuidadores também devem se proteger para exercer adequadamente o seu papel.

Em 2 de abril, foi comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Organizações dedicadas ao tratamento do TEA (Transtorno do Espectro Autista) divulgaram uma série de recomendações a respeito de como ajudar as crianças com autismo durante a quarentena.

A quarentena imposta pelo aparecimento da pandemia da COVID-19 é, por si só, uma situação difícil para todas as famílias. No entanto, é ainda mais difícil para aquelas que contam com uma criança autista entre seus membros, devido às características desse distúrbio.

Transtorno do Espectro Autista

Menina com autismo sozinha

Antes de passar para as recomendações destinadas a ajudar as crianças com autismo durante a quarentena, é adequado definir o que é o TEA. Trata-se de um transtorno neurobiológico do desenvolvimento que afeta a capacidade do cérebro de desenvolver e manter habilidades sociais e de comunicação.

O TEA geralmente se manifesta durante os primeiros anos de vida, em geral antes dos 3 anos de idade. O comprometimento das habilidades sociais e comunicacionais fica evidente pela presença de um acentuado transtorno de comportamento e dificuldades para se relacionar com o ambiente.

Em resumo, as pessoas com TEA costumam ter poucas habilidades sociais, emocionais e comunicacionais. É por isso que, diante da emergente situação de isolamento obrigatório e do confinamento que isso implica, é essencial cuidar de um modo particular das pessoas com autismo.

A condição delas as torna mais vulneráveis que os demais, e elas dependem permanentemente de uma atenção especializada, que pode não estar disponível agora. Vamos ver como podemos ajudá-las.

O autismo durante a quarentena

Para as pessoas com TEA, as rotinas são fundamentais. É por isso que o fechamento de escolas, locais de trabalho, centros de saúde e outros significa um grande contratempo. Essas são as maneiras que elas têm para organizar a vida diária rotineiramente e de forma eficaz.

O autismo durante a quarentena pode ser especialmente difícil para as crianças. O transtorno em si é muito heterogêneo e, por isso, há quem tolere esse período de confinamento sem problemas e quem apresente sintomas como irritação, perturbação e depressão.

Diante dessa realidade, nos países em que o confinamento possui regras rígidas, alguns governos emitiram autorizações excepcionais para que as pessoas autistas e os familiares responsáveis por seus cuidados possam sair de casa. A intenção é que elas possam fazer caminhadas curtas, para fins terapêuticos, cujo objetivo é cuidar da saúde.

Cada país elaborou uma forma diferente de conceder essas licenças, mas, em geral, é suficiente provar a condição de TEA da pessoa beneficiada, portando certificados de deficiência. Além disso, no mundo todo, recomenda-se usar um laço azul ou alguma identificação dessa cor. Isso ajuda a sociedade a identificar as pessoas autistas.

Você também pode se interessar: 5 exercícios para fazer em casa durante a quarentena

Meninos e meninas autistas diante da pandemia

Menino com deficiência brincando

Com as escolas fechadas, os centros de assistência somente com plantões mínimos e a quase impossibilidade de ir a locais públicos ou sair para passear, as famílias que contam com crianças com TEA têm se perguntado: como ajudar as crianças com autismo durante a quarentena?

Muitas organizações buscaram respostas para essa pergunta. Uma das recomendações comuns é criar rotinas que as ajudem a organizar a vida diária. Destaca-se a importância de ter horários preestabelecidos, pois as pessoas autistas precisam de previsibilidade, clareza e antecipação de acontecimentos, o que reduz a ansiedade.

Outra orientação é conversar sobre o que está acontecendo. Para as crianças, é tranquilizador entender o que é a quarentena, quanto tempo ela vai durar, como cuidar de si mesmas e por quê. Para isso, você pode buscar algum suporte audiovisual, livros, jornais, ou ter uma conversa adequada em família.

Leia também: Dicas para manter a convivência familiar durante a quarentena

Outras recomendações sobre o autismo durante a quarentena

Além de informar as crianças sobre o que está acontecendo, é essencial transmitir tranquilidade. A mensagem deve ser clara, simples, com informações corretas e sempre baseada em fontes confiáveis. É importante manter a calma e evitar a angústia ou o estresse.

Por fim, idealmente, as pessoas que cuidam das crianças com autismo durante a quarentena também precisam se cuidar. Isso permite criar novas rotinas, transmitir informações e tranquilidade, além de dedicar tempo ao prazer de estar juntos, o que é sempre uma maneira de cuidar dos mais vulneráveis.

  • Mulas, F., Ros-Cervera, G., Millá, M. G., Etchepareborda, M. C., Abad, L., & Téllez de Meneses, M. (2010). Modelos de intervención en niños con autismo. Rev Neurol, 50(3), 77-84.
  • Martínez Martín, M., & Bilbao León, M. C. (2008). Acercamiento a la realidad de las familias de personas con autismo. Psychosocial Intervention, 17(2), 215-230.
  • Montañés, M. (2013). “Su hijo es autista”: un análisis crítico desde la realidad familiar.