Medicamentos e vacinas em desenvolvimento para o coronavírus

14 de março de 2020
Diversos laboratórios farmacêuticos estão trabalhando para desenvolver medicamentos e uma possível vacina com o objetivo de enfrentar o coronavírus. A China anunciou que as primeiras vacinas de emergência serão aplicadas no mês de abril.

Quatro das maiores empresas farmacêuticas do mundo informaram que já estão fazendo testes com 30 medicamentos antivirais para enfrentar o COVID-19. Além disso, indicaram que estão testando a eficácia de algumas possíveis vacinas em desenvolvimento para o coronavírus.

O anúncio foi feito pelos representantes da Federação Internacional da Indústria Farmacêutica (IFPMA), a Federação Europeia da Indústria Farmacêutica (EFPIA), a Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA) e a Associação da Indústria Farmacêutica da Coreia (KRPIA).

Disseram também que a indústria farmacêutica está agindo para reunir uma grande quantidade de esforços e fazer um trabalho conjunto. No entanto, as autoridades sanitárias, as organizações de saúde, universidades e pesquisadores também precisam participar desse esforço. Eles asseguram que isso poderia ser colocado em prática com programas colaborativos.

Medicamentos em desenvolvimento para o coronavírus

A princípio, os pesquisadores estão estudando os medicamentos antivirais já existentes que, no passado, provaram ser eficazes contra doenças como o HIV e o ebola. Nesse momento, já estão sendo feitos testes clínicos combinados com a revisão da literatura disponível sobre esses remédios.

Uma segunda linha de pesquisa está direcionada a analisar a ação dos inibidores ACE sobre o coronavírus. Foi observado que esses inibidores demonstraram um bom comportamento para enfrentar o coronavírus.

No momento, sabe-se que o laboratório americano AbbVie está fazendo testes com uma combinação de dois medicamentos antivirais: lopinavir e ritonavir. As empresas Roche, Merck e Bayer, por sua vez, estão estudando o interferon. Já a GlaxoSmithKline (GSK) investiga o potencial do zanamivir, e a Gilead, do remdesivir.

Comprimidos
A indústria farmacêutica está avaliando antivirais para combater o coronavírus.

Outras companhias farmacêuticas

A companhia farmacêutica Takeda, do Japão, também está testando novos medicamentos. Um deles é um fármaco derivado do plasma sanguíneo que, segundo os especialistas, estaria apto a tratar indivíduos com alto risco de contrair o coronavírus.

A Pfizer, por sua vez, anunciou que vai acelerar a avaliação preliminar de alguns compostos antivirais que já estavam sendo desenvolvidos antes da epidemia aparecer. O laboratório assegurou que os mesmos já foram avaliados como inibidores da réplica de outros coronavírus,  diferentes do COVID-19. Isso indica que a descoberta pode estar próxima.

Finalmente, a farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals informou que está trabalhando em conjunto com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS) para encontrar um ou vários medicamentos e tratamentos que permitam enfrentar a epidemia atual de forma eficaz.

Vacinas em desenvolvimento para o coronavírus

Além dos medicamentos, os pesquisadores também trabalham para desenvolver uma vacina contra o coronavírus. A companhia Janssen, também conhecida em alguns lugares como Sanofi Pasteur, que corresponde à divisão farmacêutica da Johnson & Johnson, está empenhada em descobrir como desenvolver uma possível vacina. Algo similar acontece na GSK.

Estas e outras empresas farmacêuticas trabalham simultaneamente em diferentes tipos de vacinas. Algumas delas teriam um efeito temporário, enquanto outras pretendem se tornar uma solução mais duradoura para o problema.

Alguns jornais norte-americanos disseram que os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) estão na vanguarda desse objetivo. Indicaram que já foi feito um teste bem-sucedido em ratos, e que logo serão iniciados os testes com voluntários jovens e saudáveis.

Além disso, relatórios da China asseguram que as primeiras vacinas para casos de emergência começarão a ser aplicadas no país durante o mês de abril.

Vacinas contra o coronavírus
O desenvolvimento de uma vacina para o coronavírus se encontra entre as prioridades de várias empresas farmacêuticas e do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.

Os questionamento do doutor Peter Daszak

O doutor Peter Daszak, ecólogo de doenças e membro da organização científica EcoHealth Alliance, declarou que o mundo está respondendo de forma incorreta à aparição de uma epidemia como a do coronavírus. Na sua opinião, encontrar uma vacina para o coronavírus não vai evitar o risco de novas epidemias aparecerem, e quem sabe muito rapidamente.

O especialista deu como exemplo o caso da síndrome respiratória aguda grave, a SARS. Desenvolver uma vacina contra essa doença serve apenas para uma entre as muitas possibilidades de contágio. Ele também se referiu ao HIV, que após muitos anos de contágio e tratamento com diversos medicamentos, ainda não tem uma vacina.

Daszak destacou que o correto é mudar a forma como o ser humano age no mundo. Em particular, é necessário regular o contato com a vida silvestre, pois a maioria desses vírus vem de animais com os quais o homem entra em contato durante a exploração de florestas, construção de estradas ou tráfico de espécies.

Conclusão

Existem algumas iniciativas trabalhando no desenvolvimento de medicamentos e vacinas específicas para este tipo de coronavírus, o COVID-19. Ainda que haja muitos esforços por parte da indústria farmacêutica para criar um medicamento antiviral ou uma vacina, o fato é que ainda estamos em etapas experimentais.