Transmissibilidade: o verdadeiro perigo do coronavírus

26 de março de 2020
O coronavírus está se espalhando rapidamente e é essencial conhecer a transmissibilidade dessa doença para minimizar o risco de contágio. O que devemos saber sobre isso? Descubra a seguir.

Cientistas de todo o mundo estão em uma corrida para conter a propagação do coronavírus (COVID-19), cuja alta transmissibilidade está alarmando um grande número de países. Existem várias frentes para atacar esse agente infeccioso, como isolamento social, lavagem das mãos, medidas preventivas, desenvolvimento de vacinas, entre outras.

No entanto, uma coisa é certa: precisamos conhecer o inimigo para derrotá-lo. Dentre todas as características de qualquer vírus, uma das mais relevantes é justamente a sua transmissibilidade. Os vírus são partículas compostas por ácidos nucleicos cercados por proteínas, com a capacidade de se reproduzir às custas das células invasoras.

De um modo geral, um vírus não está interessado em matar o hospedeiro que invadiu. Um vírus eficaz é aquele que consegue se reproduzir sem ser detectado pela pessoa que o carrega, para poder se espalhar entre outros indivíduos antes de gerar sintomas que impeçam a vida normal.

Portanto, a capacidade de transmissão é um termo-chave para enfrentar qualquer epidemia. Abaixo, explicaremos o porquê e a terminologia detalhada que isso implica.

A transmissibilidade do coronavírus: o que devemos saber?

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) detalha que a facilidade com que um vírus é transmitido de pessoa para pessoa pode variar. Alguns vírus são altamente contagiosos, enquanto outros não. Para entender por que a transmissibilidade do coronavírus é o verdadeiro perigo, vejamos em detalhes o processo.

O ritmo reprodutivo básico

Coronavírus visto de perto
Estima-se que o coronavírus tenha um valor estimado de R0 entre 2 e 3. Apesar disso, a sua forma de transmissibilidade representa um risco.

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Definido de maneira simples, a taxa reprodutiva básica, ou R0, é o número médio de novos casos gerados por um indivíduo doente durante um período infeccioso. Quando esse valor é menor que uma unidade, a infecção acaba desaparecendo após um longo período. No entanto, se for maior que uma unidade, há uma probabilidade de propagação contínua.

Vamos dar um exemplo:

Esse valor expressa que uma pessoa com sarampo pode infectar 15 outros indivíduos não vacinados durante a doença. No caso da gripe comum, para colocar em perspectiva, o valor de R0 é 1,3.

Estima-se que o coronavírus (COVID-19) tenha um valor estimado de R0 entre 2 e 3. Sua transmissibilidade é o dobro da influenza comum, mas não chega nem perto da eficiência de transmissão do sarampo. Então, qual é o verdadeiro perigo se convivemos com doenças com maior transmissibilidade há décadas?

Período de incubação e pessoas assintomáticas

Nas notícias, já escutamos vários testemunhos dizendo: “Sim, estou com o coronavírus, mas tenho a sorte de ser assintomático”. Esta declaração é uma faca de dois gumes:

  • Sabemos estatisticamente que 80% dos casos de coronavírus são leves, portanto, não necessitam de hospitalização.
  • Na China, 43.000 pessoas deram positivo para o COVID-19 sem sintomas claros.
  • O período de incubação é de 5 dias a 3 semanas, excepcionalmente, com uma média de 7 dias. Embora portadores tenham sido registrados no período de incubação propagando a doença, este não é considerado o principal período de contágio.

Esses dados são muito encorajadores a nível individual: é possível que uma pessoa com baixo risco tenha passado por essa doença e nem tenha ficado ciente. Isso é claramente positivo para a pessoa, mas talvez nem tanto para os grupos vulneráveis ao seu redor. Um estado de boa saúde durante a doença aumenta a transmissibilidade do vírus.

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A eficácia de passar despercebido

Senhora idosa em quarentena
O coronavírus não causa sintomas graves em todas as pessoas, e é por isso que é tão perigoso. À medida que passa despercebido, ele consegue alcançar mais pessoas que podem estar nos grupos de risco.

Se uma pessoa ficar gravemente doente assim que contrair a doença, ela deve ser hospitalizada imediatamente. Indiretamente, a possibilidade de exposição a outras pessoas é minimizada e, portanto, é muito provável que o R0 do vírus causador seja menor que 1.

De uma cama de hospital, o paciente não pode viver uma vida normal, ou até mesmo se mover, dificultando a transmissão do vírus para uma pessoa saudável. Aqui entra em jogo a eficácia do coronavírus: muitos portadores do vírus conseguem levar vidas completamente normais. Sim, com tosse, dor de cabeça e algum cansaço.

Quem nunca foi ao mercado se sentindo mal? Essa aparente normalidade permite que o vírus viaje pelas partículas e secreções da tosse e infecte mais pessoas, algumas delas vulneráveis. Essa é a chave do sucesso do coronavírus: permitir que pessoas saudáveis ​​levem uma vida normal para que possam infectar o maior número possível de pessoas.

A importância da detecção para evitar a transmissibilidade

Por esses motivos, muita ênfase foi colocada nos últimos dias no número de kits de detecção rápida. O ideal seria ser capaz de realizar testes em cada pessoa que esteve em contato com um paciente, com sintomas ou não.

Por razões logísticas, esse processo é muito difícil. A doença se espalha rapidamente e os recursos e o tempo são limitados. Devido a isso, atualmente os testes são realizados apenas em pessoas expostas à doença ou em pessoas com sintomas claros e que tiveram contato prévio com pacientes confirmados.

Esta é a verdadeira razão para o pedido de responsabilidade do cidadão. Não podemos saber se estamos infectados, mas podemos minimizar a probabilidade saindo de casa o mínimo possível.

Portanto, o verdadeiro perigo do coronavírus não é a sua taxa de mortalidade (cerca de 4% e quase exclusivamente em idosos), mas a fácil transmissibilidade que o vírus apresenta. É importante minimizar o contato com outras pessoas nesse período.