Sintomas do coronavírus: tudo que você precisa saber

13 de março de 2020
A expansão da infecção por coronavírus no mundo gerou uma circulação esmagadora de informações que incluem dados equivocados sobre esta pandemia. Neste artigo, vamos explicar quais são os sintomas do coronavírus e como identificá-los.

Conforme a mídia vem noticiando nas últimas semanas, o número de pessoas com sintomas de coronavírus segue aumentando em todo o mundo. As medidas se tornaram mais restritivas e os protocolos estão sendo aplicados a pacientes suspeitos de forma imediata.

O caso mais extremo é o da Itália, onde o governo instaurou uma quarentena generalizada com limitação do movimento de seus cidadãos e proibição de entrada e saída pelas fronteiras do país. A economia reagiu a esta queda na atividade, e a crise global vem tendo uma grande repercussão nas bolsas e moedas.

Os ministérios da saúde nacionais e locais tiveram que elaborar guias de atuação para as equipes de saúde e para que a população se mantenha informada. Em algumas nações, o protocolo é de cumprimento obrigatório, com intervenção policial caso seja necessário. Em outras, são apenas sugestões para que os próprios cidadãos se mantenham em quarentena se apresentarem fatores de risco.

O que fica claro é que, em tempos de globalização, não há região do planeta que possa se considerar fora do alcance do vírus. A epidemia se expandiu graças às viagens aéreas e ao intercâmbio populacional tão comum na atualidade.

Enquanto isso, as informações a respeito do coronavírus estão repletas de mitos e notícias falsas difundidas nas redes sociais. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) teve que publicar um documento com conselhos para a população em relação aos rumores do novo coronavírus.

O que é o coronavírus?

Antes de nos aprofundarmos nos sintomas reais da infecção por coronavírus, convém recordar a que nos referimos quando falamos sobre esta doença. O conhecimento a respeito da sua natureza é a base para que saibamos como preveni-la e detectá-la.

Na realidade, os coronavírus são uma família de vírus que existe há muito tempo. A designação genérica por meio da qual nos referimos ao vírus atual é equivocada, pois esta cepa específica tem um nome.

Desde 7 de janeiro de 2020 sabemos que esta variedade de coronavírus é o 2019-nCov, que depois passou a ser chamado de COVID-19. Trata-se da cepa que iniciou seu período de contágio em seres humanos no final de 2019 na cidade de Wuhan, China.

O mundo já enfrentou três grandes surtos de coronavírus com transmissão humana, incluindo o atual. O mais lembrado e comentado foi o que se manifestava como a síndrome respiratória aguda grave (SARS).

Os coronavírus possuíam uma transmissão entre animais relativamente bem documentada. O que aconteceu agora é que uma cepa sofreu uma mutação e se tornou contagiosa entre humanos, o permitiu que se espalhasse e se transformasse em uma epidemia.

Vírus
Este surto de coronavírus foi causado pela cepa COVID-19.

Como o COVID-19 é transmitido?

A via de infecção do coronavírus que está sendo transmitido atualmente é o contato mediado pelas gotículas do nariz ou da boca de indivíduos infectados. O vírus viaja pelo ar através destas gotas e penetra em alguma mucosa de um receptor.

Também pode acontecer de as gotas caírem em superfícies nas quais o vírus pode permanecer por um tempo. Se, durante esse período, uma pessoa não infectada tocar nas gotas e, em seguida, passar a mão em alguma mucosa – olhos, nariz ou boca – o contágio é possível.

Embora a presença do coronavírus tenha sido detectada nas fezes de alguns pacientes, as pesquisas parecem considerar muito baixa a probabilidade de propagação por esta via.

Saiba mais: Por que os vírus estão cada vez mais fortes?

Sintomas do coronavírus

Como saber se você se contagiou com o COVID-19? Quais são os sintomas do coronavírus que podem ser detectados precocemente? Como se trata de um vírus transmitido por gotículas do nariz e da boca, é lógico associá-lo aos sintomas comuns da gripe.

Estes sinais fazem parte da apresentação habitual da doença:

  • Febre
  • Tosse seca
  • Falta de ar
  • Esgotamento ou cansaço

Outros sintomas são menos comuns e mais leves, além de não estarem presentes em todos os casos positivos, como a rinorreia (corrimento nasal) a odinofagia (dor de garganta) e a diarreia. Inclusive, há infectados por COVID-19 que nunca apresentam sintomas.

Entre 15% e 20% dos infectados evoluem para uma forma clínica grave da patologia. Em geral, são idosos ou pessoas doentes com comorbidades, como diabetes, hipertensão arterial, doença pulmonar obstrutiva, ou indivíduos imunossuprimidos.

COVID-19
A designação de COVID-19 deu nome à cepa responsável pela atual pandemia.

Leia também: Recomendações para evitar o contágio por coronavírus

Quando consultar um médico ao identificar os sintomas de coronavírus?

A presença de três dos sintomas de coronavírus que mencionamos previamente, ou de apenas um deles, juntamente com o antecedente de contato com uma pessoa infectada, ou com o fato de ter estado em uma região de propagação, é motivo suficiente para buscar atendimento médico. Não se deve demorar para obter as amostras de sangue, analisá-las, isolar o paciente se for necessário, e iniciar as medidas de apoio.

Se você tem alguma doença crônica, é imunossuprimido ou idoso, a febre deve alertá-lo imediatamente. Estas pessoas devem entrar rapidamente em contato com o sistema de saúde para receber o atendimento adequado e oportuno antes que seja tarde. Lembremos que a letalidade deste vírus é muito significativa em pacientes com doenças prévias.

Não é necessário entrar em pânico, mas sim estar atento. Com as medidas de prevenção recomendadas, juntamente com o isolamento seletivo nos casos suspeitos, será possível avançar no controle da doença.

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  • Ramos, Celso. “Covid-19: la nueva enfermedad causada por un coronavirus.” salud pública de méxico 62.2, Mar-Abr (2020): 225-227.
  • Jiang, Fang, et al. “Review of the Clinical Characteristics of Coronavirus Disease 2019 (COVID-19).” Journal of General Internal Medicine (2020): 1-5.