A resiliência na infância em tempos de pandemia

22 de maio de 2020
A resiliência na infância tem sido objeto de inúmeras contribuições teóricas. No entanto, nesse momento de pandemia, ela gera um desafio adicional.

A resiliência na infância em tempos de pandemia requer uma análise aprofundada. É possível que, após esse período, surjam novas publicações que nos permitam entender melhor esse fenômeno.

Antes de tudo, é preciso tentar entender o que é exatamente o conceito de resiliência. É sobre isso que falaremos a seguir.

O que é resiliência?

Tradicionalmente, a resiliência tem sido associada à propriedade que certos objetos têm de se esticar e retornar à posição original. Assim, apesar da existência de um agente capaz de modificar o estado e/ou a condição, esses objetos ou materiais não são modificados definitivamente.

Essa característica exposta acima pode muito bem ser aplicada às pessoas que, sem que sejam consideradas objetos, podem enfrentar diferentes situações muito problemáticas e, apesar delas, não desabam.

A resiliência pode ser individual ou coletiva. Nesse último caso, é aplicável a toda a sociedade. Existem inúmeros estudos e publicações que enfatizam a importância da resiliência diante de catástrofes. É aí que entraria a importância da resiliência nesse momento atual de pandemia causada pelo coronavírus.

Criança sorrindo

O que é ser resiliente?

Ser resiliente é ter algumas características, entre as quais se destacam, por exemplo:

  • Senso de humor.
  • Autoestima elevada.
  • Tolerância à frustração.
  • Capacidade de desenvolver empatia.
  • Flexibilidade: relacionada à adaptabilidade das pessoas a possíveis situações de estresse.

Algumas controvérsias sobre a resiliência chamam a atenção para o fato de que, além de fornecer ou promover capacidades resilientes nas pessoas, é essencial não perder de vista as responsabilidades. Essas responsabilidades competem tanto às pessoas individuais quanto às comunidades e instituições.

A resiliência na infância e a pandemia

A Associação Espanhola de Pediatria enfatiza que a resiliência “é uma atitude positiva que permite enfrentar as dificuldades, adaptar-se a situações de estresse e sair mais forte da adversidade”. A pandemia na infância é, sem dúvida, uma fonte de estresse.

Paralelamente, a Sociedade Argentina de Pediatria, em seu “Guia para o crescimento e desenvolvimento infantil na prática pediátrica” aponta a resiliência como um componente essencial. É uma característica, tanto das crianças quanto das famílias, que protege e ajuda a superar as situações adversas.

A resiliência na infância pode responder à pergunta de por que algumas crianças parecem passar por situações difíceis praticamente sem reconhecê-las. Isso contrasta com outras que não são capazes de fazer isso.

Menina usando máscara facial

A resiliência pode ser aprendida?

Há muitas décadas, vários especialistas dedicam anos de pesquisa a tentar identificar quais são os critérios pelos quais uma pessoa pode ser considerada resiliente. 

Nesse sentido, é importante promover essas capacidades desde cedo. Como se fossem anticorpos, essas capacidades podem fortalecer a resposta das crianças a situações de dificuldade, como no atual cenário de pandemia.

Resumindo a resiliência na infância

  • É importante não se deslumbrar com isso. Embora a resiliência seja um recurso muito valioso, ela não pode ser vista como uma solução milagrosa para todos os problemas.
  • Em tempos de pandemia, as pessoas são afetadas por medos, incertezas e dúvidas. A resiliência de cada pessoa, e em particular das crianças, pode fazer uma diferença valiosa e importante.
  • A possibilidade de adotar uma posição otimista que, sem negar a realidade, se concentre no “lado brilhante da lua”, pode ser útil.
  • Fernández Pérez, M. (2020). Sociedad de Psiquiatría Infantil de la Asociación Española de Pediatría.
  • de Pediatría, S. A., & Subcomisiones, C. (2017). Guía para el seguimiento del desarrollo infantil en la practica pediatrica. Arch Argent Pediatr2.