Recomendações sobre o coronavírus para pessoas com asma

22 de maio de 2020
O controle da asma nos pacientes que sofrem dessa doença é essencial durante a pandemia de coronavírus. Os asmáticos são um grupo de risco que deve tomar precauções específicas.

O coronavírus pode causar desde sintomas leves até doenças respiratórias graves ou fatais. Quais são, então, as recomendações relacionadas ao coronavírus para as pessoas com asma, de acordo com o que atualmente se sabe sobre o vírus?

O que se sabe sobre o coronavírus?

O vírus SARS-CoV-2, cuja doença é conhecida como COVID-19, é um novo coronavírus, pois não havia sido detectado antes da notificação do surto ocorrido em Wuhan (China) em dezembro de 2019. Por ser uma novidade, isso significa que as recomendações são atualizadas constantemente à medida que o vírus vai se tornando mais conhecido.

O contágio ocorre por contato próximo com um paciente infectado, por meio das gotículas respiratórias expelidas quando uma pessoa tosse ou espirra, ou por meio de gotículas de saliva ou secreções nasais.

A doença causada pelo coronavírus se manifesta, na maioria dos casos, com uma forma leve que causa febre, tosse e dor de garganta. No entanto, também pode progredir para a forma mais grave e causar pneumonia com dificuldade respiratória. Em alguns casos, pode ser mortal.

Idosos e pessoas com algumas doenças associadas – como doenças cardiovasculares, pressão alta, diabetes ou asma – parecem estar sujeitos a um risco maior. Esses seriam os grupos de risco.

Radiografia do pulmão
A asma costuma se agravar quando os pacientes contraem infecções respiratórias virais ou bacterianas.

Saiba mais: Quais ambientes favorecem a propagação do coronavírus?

O que é a asma?

A asma é uma doença relativamente comum que afeta tanto a população adulta quanto a infantil. Geralmente, surge na infância.

É uma doença crônica do sistema respiratório, causando irritação dos brônquios como consequência de vários estímulos ambientais.  Entre esses estímulos estão o pólen das plantas, a fumaça, as emoções, as risadas, a atividade física e alguns medicamentos. Às vezes, não é possível descobrir o estímulo que produz a resposta irritativa.

Os sintomas são tosse, sensação de pressão no peito, chiado e falta de ar. Eles podem aparecer de forma rápida, na chamada crise asmática.

Além disso, sabe-se que existe uma forte associação entre as infecções respiratórias virais e as crises asmáticas.

Tratamento da asma

No tratamento da asma, está incluído o acompanhamento do clínico geral ou do pneumologista, com o objetivo de evitar as recaídas ou as crises de asma.

Diferentes tipos de medicamentos são usados, em sua maioria inalatórios. Em muitos casos seu uso é permanente, como medicação preventiva, ou no momento da crise asmática. Existem outras vias de medicação, como a forma oral e a subcutânea.

Nas crises leves, o ajuste do tratamento pelo clínico geral ou pneumologista costuma ser suficiente para lidar com o momento agudo. Nos casos em que as crises são mais graves, é necessária assistência médica urgente, incluindo muito ocasionalmente a internação hospitalar.

Por fim, pode-se dizer que a suspensão da medicação preventiva por parte do paciente com asma frequentemente leva a um agravamento potencialmente perigoso.

Homem tossindo
A asma é uma doença respiratória e, como tal, aumenta o risco de desenvolver uma forma grave de COVID-19.

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O que os especialistas estão dizendo sobre o coronavírus e a asma?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui as pessoas que têm asma, por ser uma condição médica crônica, no grupo com maior risco de ficar gravemente doente em caso de infecção por coronavírus. Outros especialistas também concordam com essa avaliação.

Além disso, é do conhecimento geral que as infecções respiratórias virais podem causar o agravamento da asma. Portanto, o coronavírus poderia agir da mesma maneira que outros vírus já conhecidos.

Para pessoas asmáticas, durante esse período de pandemia, recomenda-se levar em consideração as indicações gerais que foram dadas a toda a população, além de algumas questões específicas. Por exemplo, na temporada de gripe sazonal, o paciente asmático deve se proteger da circulação viral.

É apropriado continuar tomando a medicação preventiva, se essa tiver sido a indicação do médico. Caso a pessoa não tenha o costume de usá-la, não custa consultar o profissional responsável a respeito da conveniência ou não de iniciá-la.

Se for necessário recorrer a um serviço de emergência devido a uma crise de asma, é recomendável levar seu próprio medicamento inalatório e tentar se comunicar com o médico ou pneumologista responsável com antecedência.

Controlar a asma para se proteger do coronavírus

Pode-se concluir que a recomendação mais relevante para as pessoas com asma em relação ao coronavírus inclui, além das orientações gerais, manter um bom controle da doença. Isso vai minimizar o risco de agravamento e a consequente ida ao centro de emergência. Assim, é possível evitar sair do confinamento e se expor ao vírus.

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