Perda do olfato e do paladar como possíveis sintomas do coronavírus

26 de março de 2020
A teoria de que o coronavírus pode provocar perda do olfato e do paladar vem ganhando destaque. Algumas associações médicas ao redor do mundo emitiram declarações sugerindo o monitoramento desse sintoma como um sinal precoce da doença.

Considerar a perda de olfato e do paladar como possíveis sintomas do coronavírus deixou de ser apenas uma teoria para algumas associações médicas. A Sociedade Espanhola de Neurologia emitiu uma declaração a esse respeito, sugerindo que o sintoma deve ser considerado para isolamento.

Segundo os neurologistas espanhóis, existem outros registros no mundo, tanto na China quanto na Alemanha, que reforçam a sua consideração. Eles até sugerem isolar por 14 dias aqueles que apresentam perda súbita do olfato.

Por outro lado, nem a Organização Mundial da Saúde (OMS) nem os ministérios nacionais da saúde confirmaram a perda de olfato e paladar como sintomas a serem considerados. Eles não os incluíram nos seus protocolos de diagnóstico para as equipes médicas que trabalham na pandemia.

Segundo Hendrik Streeck, diretor do Instituto de Virologia de Bonn, na Alemanha, o sintoma é mais comum em pacientes jovens. Além disso, está ligado a pessoas que desenvolvem formas leves da doença.

O que é a anosmia?

Entre a perda de olfato e a perda do paladar, é a primeira que está mais associada ao coronavírus, de acordo com essa hipótese. O termo médico para esta condição é anosmia.

Uma pessoa sofre de anosmia quando não sente nenhum tipo de cheiro. O quadro mais brando é chamado de hiposmia e é uma redução no sentido olfativo. As causas gerais desse distúrbio são muitas, mas a sua subjetividade dificulta a identificação.

Normalmente, uma pessoa pode experimentar anosmia ao passar por um resfriado, sinusite ou uma alergia sazonal. Os casos mais preocupantes são aqueles que perdem o olfato devido a uma lesão cerebral, seja por tumor ou alteração vascular – derrame ou AVC.

Não há tratamento específico para a anosmia. A causa do problema deve ser encontrada e solucionada. O tratamento depende da causa. Na situação atual de uma pandemia de coronavírus, o sintoma é um alerta, mas não modifica o protocolo de ação.

Sistema olfativo
Os sintomas olfativos associados ao coronavírus são uma novidade que está ganhando força nas teorias médicas sobre a pandemia.

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Sintomas clássicos do coronavírus

Vale lembrar quais são os sintomas reconhecidos e claros da infecção por COVID-19. Esses sinais, se aparecerem, requerem uma consulta e isolamento imediatos:

  • Febre
  • Tosse seca: a falta de ar aparece em casos mais avançados.
  • Cansaço

O que algumas associações médicas ao redor do mundo, incluindo a Associação Britânica de Ouvidos, Nariz e Garganta, propõem é adicionar a perda de olfato e paladar como sintoma inicial. Sua detecção precoce, segundo eles, promoveria diagnósticos e permitiria isolar rapidamente os pacientes para impedir a disseminação.

A detecção precoce é essencial no controle dessa pandemiaOs esforços de toda a população mundial para manter a quarentena visam reduzir a taxa de disseminação do coronavírus, ganhando tempo para o sistema de saúde conseguir dar uma resposta adequada aos doentes.

Se pudesse ser confirmado que a perda do olfato e do paladar são sintomas incipientes de infecção por COVID-19, teríamos mais um elemento a antecipar. De qualquer forma, até que isso seja corroborado por estudos científicos realizados sob os atuais parâmetros de pesquisa, as informações devem ser recebidas com cuidado.

Outros sintomas incomuns

O esboço de um estudo científico realizado na China já havia investigado sintomas atípicos do coronavírus. Nesse caso, eram sintomas digestivos.

Segundo o comunicado dos pesquisadores, quase 50% dos pacientes que foram submetidos ao estudo sofreram sintomas digestivos durante o curso da doença do COVID-19. A apresentação digestiva mais apresentada foi a diarreia.

Da mesma forma, pacientes com sintomas digestivos durante a internação apresentaram uma evolução mais tórpida do que aqueles que apresentaram apenas sintomas respiratórios. Presume-se que a desidratação causada pela diarreia seja um fator considerável nas complicações do tratamento.

Teste positivo para coronavírus
O diagnóstico precoce do coronavírus permitiria o rápido isolamento da pessoa infectada.

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Devemos considerar a perda do olfato e do paladar como sintomas?

Com os dados que temos, devemos ser cautelosos antes de considerar a perda do olfato e do paladar como sintomas de infecção por coronavírus. Embora as associações médicas proponham a identificação desses sinais dentro dos protocolos, devemos aguardar a confirmação dos órgãos oficiais.

De qualquer forma, é importante ter em mente que, no contexto em que nos encontramos, não é exagero fazer uma consulta diante de uma anosmia repentina que não esteja associada a nenhuma outra condição da qual estivermos sofrendo. Um profissional de saúde saberá nos dizer se são necessários mais exames ou se não devemos nos preocupar.