Pacientes com demência podem ser mais vulneráveis ​​ao COVID-19

22 de maio de 2020
Existem grupos populacionais com maior risco em relação ao coronavírus do que outros. Nos últimos dias, os profissionais de saúde alertaram que os pacientes com demência podem ser mais vulneráveis ​​ao COVID-19 e, portanto, devem receber mais atenção.

A pandemia que se desenvolve devido ao vírus SARS-CoV-2 no mundo se comportou de uma maneira particular. Esse coronavírus apresentou taxas mais altas de mortalidade em alguns países do que em outros, e concentrou os piores sintomas em grupos populacionais específicos. Agora sabemos também que pacientes com demência podem ser mais vulneráveis ​​ao COVID-19 e devem entrar na lista de pacientes de risco.

Nesse caso específico, a demência é configurada como um fator de risco devido à possibilidade específica de infecção e devido às condições da quarentena. O confinamento para uma pessoa sem problemas mentais não é o mesmo do que para uma pessoa com transtornos.

Além disso, se lembrarmos que aqueles com mais de 65 anos de idade são os pacientes com a maior taxa de mortalidade devido ao COVID-19, não podemos ignorar que a demência é uma das patologias comuns dessa idade. O envelhecimento está associado ao déficit das funções cognitivas.

No início da pandemia, a demência não era considerada um fator de risco. Porém, nos últimos dias, surgiram vozes de profissionais da saúde ligados aos campos psiquiátrico e neurológico, lembrando ao mundo que pacientes com demência podem ser mais vulneráveis ​​ao COVID-19.

O que é a demência?

Existem mais de 50 milhões de pessoas com demência no mundo. Se tivermos que catalogar a sua dispersão com algum termo médico e epidemiológico, deveríamos dizer que é uma pandemia.

A doença de Alzheimer é a patologia mais representativa da demência, mas não a única. Por se tratar da mais prevalente do grupo, ela atrai muita atenção. No entanto, existem outros quadros clínicos com sintomas semelhantes.

A demência é um distúrbio que afeta o pensamento, com maior incidência na memória. Os pacientes perdem a capacidade de realizar tarefas complexas, ficam confusos com o tempo e espaço, não são hábeis ao lidar com as atividades da vida diária e podem ter a linguagem alterada.

Sobre a doença de Alzheimer, existem várias teorias que tentam explicar a sua origem, embora ela não esteja totalmente clara. Por outro lado, temos demências que se originam a partir de problemas vasculares devido à falta de irrigação em qualquer parte do cérebro.

A degeneração dos neurônios é outra causa da demência. Essas células são transformadas de maneira atípica, perdendo a sua capacidade funcional. É comum que isso ocorra devido ao envelhecimento dos lobos frontal e temporal do cérebro.

Idoso com demência
A demência tem várias causas, incluindo a doença de Alzheimer

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Por que os pacientes com demência são mais vulneráveis ​​ao COVID-19?

Uma carta enviada à revista The Lancet há pouco tempo levantou preocupações de que os pacientes com demência podem ser mais vulneráveis ​​a essa pandemia sem receber a ajuda adequada.

Os autores lembram que os pacientes com demência estão limitados ao acesso às informações sobre a pandemia do COVID-19. Com menos informações à disposição, é lógico supor que eles realizarão atividades contraindicadas que os colocam em risco de contágio.

Isso se torna mais complexo quando o paciente mora sozinho ou foi isolado por quarentena obrigatória. Se não houver uma rede de contenção organizada para eles, eles podem até sofrer complicações de saúde devido à falta de abastecimento.

No entanto, pacientes com demência podem ser mais vulneráveis ​​ao COVID-19 mesmo que morem em uma casa especializada, sem ficar isolados. As visitas familiares foram limitadas nesses centros especiais, e isso afeta o humor, agravando a depressão.

Senhor idoso usando máscara
Aqueles com mais de 65 anos são um grupo vulnerável ao coronavírus e também com alta frequência de demência.

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O que pode ser feito para os pacientes com demência?

Os autores da carta ao The Lancet não apenas apontam o problema, mas também propõem tomar as medidas que a China implementou quando a epidemia estava em seu território. Um bom gerenciamento chinês da situação dos pacientes com demência poderia servir como exemplo.

Nesse país, as organizações dedicadas à demência se coordenaram para desenvolver guias de ação conjunta. Através desses guias, foram orientados enfermeiros, cuidadores e familiares dos pacientes.

As mesmas organizações que participaram das recomendações chinesas ofereceram treinamento gratuito para os cuidadores. Ao mesmo tempo, foram montadas linhas telefônicas para responder a perguntas sobre saúde mental, estresse durante o confinamento e o uso de medicamentos psiquiátricos.

Pacientes com demência podem ser mais vulneráveis, mas podemos ajudá-los

A responsabilidade social nessa pandemia é geral. Tanto os profissionais de saúde quanto os familiares de pacientes com demência e o restante dos cidadãos têm que se comprometer a cuidar dos grupos de risco.

Pacientes com demência podem ser mais vulneráveis ​​ao COVID-19, mas estamos em condições de desenvolver redes sociais para ajudá-los. Dessa forma, impediremos que o coronavírus se acrescente aos problemas que, por si só, eles já têm devido à sua patologia.

  • Alzheimer’s Disease International. “World Alzheimer Report 2019: Attitudes to dementia.” (2019).
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  • Wang, Huali, et al. “Dementia care during COVID-19.” The Lancet (2020).
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