Não quero e nem posso voltar ao passado

8 de fevereiro de 2017
Mesmo que não acreditemos, estamos diferentes do que éramos ontem. O passado nos ensinou, com suas alegrias e tristezas, e nos tornou mais sábios 

O passado não pode ser editado. Ninguém pode mudar nem um pouco o que foi feito, o que foi dito e o que ocorreu. No entanto, o que ocorreu ontem define o que somos agora.

Existem aqueles que não podem assumir seu próprio passado. Os erros que cometemos, os fracassos sofridos ou as decepções sentidas são feridas ainda abertas que nos impedem de integrarmos de forma saudável com o hoje, o aqui e o agora.

Temos que entender que um de nossos piores erros é, sem dúvidas, estragar nosso presente lembrando de um passado que já não tem futuro.

Convidamos a todos a refletir sobre isso.

O passado não tem nada novo para oferecer

O passado bate de vez em quando em nossa porta. Pode fazê-lo na forma de recordações, de pessoas que batem de novo os vidros de nossas janelas nos pedindo para sermos os mesmos de ontem, os mesmos que um dia derramaram tantas lágrimas por quem nunca as mereceu.

Não permita isso. Cada vez que o passado bater em sua porta novamente, entenda que ele não tem nada de novo para lhe oferecer, porque as oportunidades reais de ser feliz se abrem neste mesmo momento.

É hora de começar a caminhar de novo

Viver é ter que nos desprender continuamente de coisas e de pessoas, e o fazemos para seguir avançando.

Deixamos para trás as amizades falsas, deixamos os familiares que souberam o que era a felicidade, deixamos lugares, trabalhos, costumes e coisas para trilhar novos caminhos cheios de oportunidades.

  • É hora de começar a caminhar novamente, fechando portas. É algo que faremos com uma mistura de tristeza. Agora veja bem, uma emoção que não devemos alimentar quando “fechamos os círculos” é o rancor, o ódio ou a frustração.
  • Entenda que quem deseja de verdade superar seu passado deve fazê-lo livre de cargas, e o ódio é, sem dúvidas, a carga mais pesada, aquela que nos terá presos àqueles que nos fizeram dano, de quem não nos quis bem.
  • Dê o passo para um futuro livre de ressentimentos e de emoções negativas que desgastam sua oportunidade de ser feliz.
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Ame seu presente integrando o passado

Você é uma pessoa completa. Cada uma de suas experiências passadas e presentes formam uma totalidade que você deve amar, entender e respeitar.

  • A terapia Gestalt, o foco integrado dentro da psicologia humanista nos lembra que somos organismos unitários que deveriam tomar consciência do aqui e do agora, integrando o passado e o presente.
  • Quem vive unicamente evocando o ontem e respirando suas próprias nostalgias se esquece do “eu presente”. Favorecemos uma desconexão da realidade e de nossas próprias necessidades.
  • Tudo isso podemos criar ou não, pode nos adoecer, porque a depressão tem muitas vezes como origem essa fixação desesperada por um momento do passado, naquela falta ou carência que nos “desprende” por completo do presente.

Devemos ser capazes de amarmos quem somos, inclusive pelos erros cometidos no passado porque nos permitiram aprender e montar o que somos agora.

Por olhar um passado que já não podemos voltar perdemos mil caminhos

Mesmo que todos tenhamos perdido muitas coisas no oceano de nossos passados, a única forma de reparar estas brechas e de criar novas oportunidades de futuro é nos centrarmos no aqui e no agora, e em todos aqueles caminhos que podemos recorrer de forma sábia, com bravura.

Algo curioso que podemos refletir é sobre uma técnica ancestral que os japoneses usam na hora de reparar peças quebradas de porcelana.

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  • Quando uma xícara é quebrada, por exemplo, a cultura japonesa entende que nada pode ser como antes. O passado é passado e nos define como somos agora.

No entanto, também cria oportunidades de sermos mais fortes, mais belos.

  • É por isso que aquelas fraturas e aquelas peças quebradas são unidas mediante uma técnica chamada Kintsugi. Utiliza-se um tipo de cola para unir os fragmentos quebrados para, depois, recobrir as listras com pó de ouro ou prata.
  • Cada fenda é decorada com uma pintura dourada, de forma que a xícara ou o prato agora é mais bonito e, além disso, conta uma história excepcional.
  • Nós também deveríamos colocar em prática esta técnica. Longe de evitar ou de lamentar nosso passado, devemos integrá-lo com nosso presente com força, com resiliência.

Pinte suas feridas de dourado, não as esconda, não tenha vergonha delas…

Você não é a mesma pessoa de ontem, é alguém melhor, alguém mais valente e capaz. Alguém digno de seguir avançando em busca de mais oportunidades.

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