Hipocondria e coronavírus: tudo que você precisa saber

22 de maio de 2020
A ansiedade que a pandemia do COVID-19 provoca é um desafio para todos. A hipocondria e o coronavírus formam uma combinação que exige compreensão e orientação constante por parte de um psicoterapeuta.

Um dos fenômenos que se tornou mais visível nas últimas semanas é a hipocondria por causa do coronavírus. Ela se manifesta em diversos níveis. Nos casos mais leves, existe uma suspeita de ter contraído o vírus e uma valorização de qualquer sintoma compatível, como um simples espirro.

Nos casos mais severos de hipocondria em relação ao coronavírus, a pessoa afetada tem certeza de ser portadora da doença e, inclusive, pode desenvolver vários de seus sintomas, mas na verdade está saudável. Essas pessoas sofrem muito, já que acreditam realmente que estão doentes e não são atendidas como deveriam.

Devemos ter em mente que a atual pandemia trouxe consequências em diferentes níveis, e entre eles temos o nosso emocional afetado. O bombardeio de informações, assim como um estado generalizado de alarme, contribuem para aumentar o estresse e até mesmo torná-lo algo contínuo. Este, por sua vez, é um dos fatores que nos leva a desenvolver a hipocondria.

A hipocondria e o coronavírus

Homem tossindo na rua

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A hipocondria pode ser definida como um transtorno mental cuja principal característica é o medo de ficar doente. Esse medo faz com que essas pessoas fiquem analisando continuamente todos os seus sintomas fisiológicos, e que o tempo todo interpretem qualquer pequeno sinal como sintomas de uma patologia.

São muitos os casos nos quais a hipocondria realmente leva ao desenvolvimento de sintomas físicos, principalmente dores específicas e alguns tipos de paralisias, entre outros. O objetivo de uma pessoa afetada por esse problema não é enganar os outros. Na verdade, elas têm a certeza de que estão doentes.

A pandemia de COVID-19 é um fator adicional de medo, e não paramos de falar sobre ela em nenhum momento. Nessas condições, é lógico que haverá um aumento dos casos de hipocondria em relação ao coronavírus. Em outras palavras, a situação atual é um fator que aumenta os sintomas na maioria dos hipocondríacos.

A pandemia aumenta a ansiedade

A ansiedade é um fenômeno que se expressa de muitos modos e dá origem a diversos tipos de transtornos. O mais comum de todos eles é um medo desproporcional em relação ao futuro ou, em outras palavras, a expectativa de que há uma ameaça que causará um grande dano.

Em condições normais, uma pessoa ansiosa tem medo do que pode vir a acontecer, inclusive quando não há indícios de perigo ou risco. No entanto, na situação atual um risco que, efetivamente, pode causar um grande dano.

A isso podemos somar a incerteza generalizada pois, ao menos no momento, ainda não encontramos uma solução concreta para a situação. Isso faz com que quase todo mundo desenvolva algum nível de ansiedade e que as pessoas que já eram ansiosas, entre elas os hipocondríacos, tenham a sua ansiedade aumentada consideravalmente.

A somatização e a hipocondria

Homem com COVID-19

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Uma pessoa estável psicologicamente sente uma preocupação razoável pelo que está acontecendo. Não se sente confortável ao escutar as informações sobre números de contágios e de vítimas, mas depois consegue voltar ao seu humor normal e ocupar sua mente com outras coisas.

Uma pessoa que já tem algum tipo de ansiedade, ainda que esta não seja patológica em si, pode ter maiores dificuldades diante de uma situação como essa. Por exemplo, o interesse obsessivo pelo tema, os cuidados tomados para não se contaminar ou a somatização da doença, tudo isso pode levar a uma suspeita dos sintomas mesmo sem qualquer fundamento baseado na realidade.

Nesse segundo caso, o mais provável é que a pessoa busque confirmação por meio de um termômetro, por exemplo, ou examinando em detalhe qualquer ataque de tosse ou sintoma de resfriado. Após fazer isso, é comum que a pessoa se dê conta do seu erro de percepção, ainda que ela possa voltar a fazê-lo ou cometer o mesmo erro repetidamente.

O caso dos hipocondríacos é mais grave. Nesse tipo de caso, a capacidade de avaliar a situação e chegar a uma conclusão minimamente razoável é amplamente afetada. Essas pessoas sentirão, sem dúvida, que estão doentes, e que além disso são vítimas da negligência dos demais, que não confirmam nem tratam a sua doença.

O que fazer diante da hipocondria relacionada ao coronavírus?

Às medidas de cuidado que estão sendo divulgadas e defendidas, como o isolamento, manter uma distância social e lavar as mãos com frequência, temos que adicionar mais uma: cuidar da saúde da nossa mente. Épocas como a atual prejudicam o equilíbrio e a possibilidade de racionalização das emoções.

Mas justamente por isso a mente é um aspecto que deve ser protegido, principalmente não se deixando afogar no meio de tantas informações catastróficas. Claro que também não podemos dar as costas para o mundo e fingir que não há nada acontecendo, mas é importante restringir o tempo de absorção de informação e determinar momentos para focar a mente em outras coisas. Respirar, fazer exercícios e meditar são medidas que podem ajudar bastante.

No caso dos hipocondríacos, é muito importante não contradizer as suas ideias, já que isso apenas aumentaria a sensação que eles têm de estarem desprotegidos. O importante é manter a medicação psiquiátrica e um contato com um psicoterapeuta para que a pessoa seja orientada a respeito do que deve fazer.

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