Excelente notícia! Um passo enorme na luta contra o câncer

· 20 de fevereiro de 2019
Ainda que o estudo esteja em etapas experimentais, no caso de obter resultados positivos, cada paciente receberia um tratamento personalizado, o que poderia representar um antes e um depois na luta contra o câncer.

Com toda a certeza, a luta contra o câncer é um desafio cotidiano para a ciência e para a humanidade. Por isso, ficamos felizes em oferecer estas boas notícias juntamente com um sopro de esperança.

Cientistas sugerem que acabamos de dar um passo muito importante na luta contra esta doença que, todo ano, tira a vida de milhares de pessoas e deixa tantos vazios em diversas famílias.

A notícia foi publicada em jornais como o The Guardian, e nos revelou a possibilidade de tratar os tumores desde um ponto de vista genético para oferecer uma atenção individualizada a cada paciente.

A luta contra o câncer deu um “pequeno grande passo”

Antes de mais nada, para entender melhor este avanço da oncologia, precisamos entender um pouco melhor como funciona o “câncer”.

Câncer

  • Nosso corpo é formado por muitos tipos de células. Cada uma tem uma função concreta e uma vida limitada. Ou seja, em seu próprio DNA tem um marcador que lhes obriga a morrer depois de um período de tempo;
  • As células cancerosas, por outro lado, contêm um código que não apenas as impede de morrer, mas também ordena que elas se dividam e se proliferem, alimentadas por um tipo de proteína concreta;
  • Uma característica muito singular das células cancerosas é que elas conseguem fugir do sistema imunológico, são resistentes e, portanto, nossos próprios anticorpos não conseguem enfrentá-las.

Assim, os pacientes oncológicos precisam de tratamentos mais invasivos e duros, como é o caso da quimioterapia, por exemplo.

Como podemos ver, a chave de todo tumor são estes códigos genéticos. Códigos que pautam, por um lado, a proliferação das células cancerosas e, por outro, sua resistência ao nosso sistema imunológico.

Vejamos agora quais foram as últimas descobertas neste campo em relação à luta contra o câncer.

A chave está no papel do sistema imunológico

O estudo ao qual iremos nos referir foi realizado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e na University College de Londres, Reino Unido.

  • Através dos experimentos com células cancerígenas associadas ao câncer de pulmão e de pele, os pesquisadores se deram conta de um detalhe essencial: quando um tumor se propaga, em seu código genético já há um marcador com o qual ele se faz resistente ao sistema imunológico;
  • Apesar da relação entre a resposta imunológica e o câncer ser conhecida há algum tempo, agora entendemos muito melhor este mecanismo com o qual o corpo se vê tão vulnerável diante da proliferação tumoral;
  • Os cientistas falam de “bandeiras”. São como sinais de advertência para que nossas defesas não ajam; marcadores genéticos que o câncer deforma para o seu próprio benefício;
  • Os cientistas se mostram esperançosos por finalmente terem descoberto onde estão estes marcadores.

Os tumores, em geral, têm como responsabilidade “semear suas próprias sementes de destruição” enquanto ficam imunes às nossas defesas naturais.

A chave está, portanto, em fazer com que o sistema imunológico reconheça e aja diante destes marcadores presentes em todas as células do tumor para fazer frente às mesmas e combatê-las. Algo maravilhoso, sem dúvida.

Leia também: Como fortalecer o sistema imunológico?

Reprodução de células com câncer

Como tratar o câncer com esta técnica

No centro Cancer Research, no Reino Unido, financiaram o projeto e obtiveram os mecanismos necessários para começar a fazer os primeiros testes.

Para aplicar estas técnicas, os cientistas falam de duas possíveis estratégias. Seriam as seguintes:

  • O primeiro seria, sem dúvida, fazer uma biopsia do tumor para poder, assim, ler o seu genoma;
  • Graças a isso poderíamos identificar seus marcadores, além das possíveis células imunes que ele possa conter;
  • O seguinte passo seria “reativar estas células imunes” e torná-las mais fortes, e então multiplicá-las;
  • A fase a seguir seria a mais interessante. Uma vez multiplicadas as células imunes, elas seriam introduzidas no paciente. Dessa forma, o próprio organismo fabricaria mais ainda, e seriam células muito especializadas para enfrentar o tipo de tumor específico.

A outra estratégia, segundo os próprios cientistas, seria criar “vacinas contra o câncer”, ou seja, uma vez conhecido o tipo de tumor, criar um fármaco muito especializado com estes anticorpos.

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Quando a técnica será colocada em prática?

Mulher segurando seringa representando uma vacina contra o câncer

Como já sabemos, os processos médicos de desenvolvimento novos remédios e tratamentos requerem um tempo específico. Primeiramente, passa-se por um período a nível experimental e, em seguida, são iniciados os testes mais específicos em humanos.

Charles Swanton, responsável pelo projeto, explica que o primeiro ensaio será feito com pacientes com câncer de pulmão em cerca de 2 a 3 anos.

Estamos falando de medicina personalizada, ou seja, será necessário um alto investimento financeiro. No entanto, cada paciente terá um tratamento adequado ao seu tipo de doença.

Os cientistas pensam que será muito eficaz para todos os cânceres associados ao tabaco, ou no caso do câncer de pele. Esperamos então que, em pouco tempo, possamos falar desta doença terrível como uma condição tratável, e não mortal.

Eventualmente, a luta contra o câncer é uma batalha que acabaremos vencendo.

  • Cancer growth blockers. Cancer Research UK
  • McGranahan N, Furness AJ, Rosenthal R, et al. Clonal neoantigens elicit T cell immunoreactivity and sensitivity to immune checkpoint blockade. Science. 2016;351(6280):1463-9.