EUA começam a testar vacina contra o coronavírus em humanos

23 de março de 2020
Os Estados Unidos começaram a testar a vacina do COVID-19 em humanos através de uma 1ª fase de experimentação. Os resultados estarão disponíveis após um longo período de tempo, e ainda há muito pela frente até que a imunização esteja pronta para a aplicação em massa.

Os Estados Unidos começaram a testar a vacina contra o coronavírus em humanos devido à urgência do desenvolvimento imposta pela pandemia. Embora os resultados esperados sejam promissores, não serão obtidos em pouco tempo.

O nome científico da vacina, por enquanto, é mRNA-1273. As letras se referem ao mecanismo bioquímico usado para fabricá-la, consistindo em uma plataforma genética que transcreve o código genômico do vírus para interpretá-lo artificialmente.

A cidade onde os testes estão sendo realizados é Seattle, e a pesquisa é financiada pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) e pelo Kaiser Permanente Washington Health Research Institute (KPWHRI). A logística econômica é fornecida pela empresa de biotecnologia Moderna.

Em que consiste a 1ª fase da experimentação?

Uma modalidade de teste aberto foi usada para testar a vacina do COVID-19 em humanos. Isso significa que pesquisadores e participantes estão cientes das doses a serem usadas e por quanto tempo.

Isso se diferencia dos ensaios cegos ou duplo-cegos, onde alguns dos envolvidos não conhecem a totalidade das condições. Da mesma forma, também não é um estudo comparativo de placebos, uma vez que apenas a resposta à vacina é avaliada sem compará-la com outra substância.

Nesta primeira fase para testar a vacina do COVID-19 em humanos, 45 pessoas foram injetadas com a substância. São indivíduos saudáveis com idades entre 18 e 55 anos. Vale esclarecer que todos eles são voluntários.

Cada um deles foi injetado com uma primeira dose da vacina que será repetida dentro de um mês. Alguns receberam doses de 25 microgramas, outros 100 e 250 microgramas.

Agora, é preciso esperar 6 semanas, pelo menos, para obter os primeiros resultados. Com base nisso, será possível ou não avançar para a segunda fase da experimentação.

Vacina contra o coronavírus
Os Estados Unidos iniciaram a primeira fase da experimentação com uma vacina para o coronavírus.

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A tecnologia para testar a vacina contra o coronavírus

O nome da vacina refere-se à tecnologia usada para produzi-la. mRNA é um acrônimo que significa messenger ribonucleic acid e é traduzido para o português como “mensagem de ácido ribonucleico”.

Isso ocorre porque o coronavírus é um vírus de RNA. Toda a sua informação genética está contida nesta molécula, com uma estrutura semelhante ao DNA, mas não a mesma.

O fato de ser um vírus RNA lhe dá uma alta capacidade de mutação. Isso explica, em parte, por que deixou de ser uma partícula infecciosa em animais para possuir a capacidade de contágio inter-humano.

Diferentes linhagens do COVID-19 foram identificadas através de sequências em seu genoma. As duas principais cepas são S e L. No entanto, mutações do vírus estão sendo gradualmente descobertas em cada país e os cientistas contam com a tecnologia para entender o seu genoma.

Devido à alta capacidade mutante desses vírus, a vacina foi composta com base nos genomas conhecidos das variantes SARS e MERS do coronavírus. São as partículas que causaram as duas epidemias anteriores dessa família de vírus entre os seres humanos.

Coronavírus
Com base nas diferentes cepas do coronavírus, a vacina em teste foi fabricada artificialmente.

O último pontapé para a vacina

Os cientistas, tendo as informações genéticas do SARS e MERS, adicionaram o genoma sequenciado na China da mutação de Wuhan. Com esses dados e a tecnologia de mRNA, a vacina foi desenvolvida.

Foi possível desenvolvê-la rapidamente porque o enorme potencial infeccioso que o coronavírus possui demonstrou a urgência da necessidade da vacina.

O nome desse vírus deriva da forma de coroa que possui ao seu redor. Esses picos na coroa do COVID-19 fazem parte do mecanismo para penetrar nas células. Lá, nas espículas, reside uma proteína que funciona como uma chave de acesso à membrana celular no corpo humano.

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O que podemos esperar agora que a vacina contra o coronavírus começou a ser testada?

O teste com esta vacina traz esperança. Isso significa que houve progresso na identificação do vírus e na capacidade que temos de evitá-lo a nível celular. No entanto, estamos apenas na 1ª fase de experimentação.

Faltam pelo menos 6 semanas até a obtenção dos primeiros resultados. Depois, será preciso especular se os resultados serão bons o suficiente para iniciar a 2ª fase. Os especialistas em imunização estimam em um ano o tempo médio para o desenvolvimento completo e a disponibilização em massa da vacina.