O coronavírus e o dilema da reinfecção

22 de maio de 2020
A possibilidade de reinfecção após o período da doença (COVID-19) é um debate que vem ocorrendo desde o início da pandemia. A seguir, vamos mostrar todas as informações atualizadas sobre esse assunto.

O coronavírus causador da COVID-19 e a possibilidade de reinfecção estão na mira de todos os meios de comunicação e laboratórios globais. Entender a doença é essencial para conseguir combatê-la.

Dados como o período de incubação ou de sobrevivência em superfícies têm se tornado cada vez mais claros e permitem que medidas específicas sejam implementadas. Contudo, ainda estamos enfrentando um grande dilema nessa pandemia: uma pessoa recuperada pode ser infectada novamente?

Além de ser essencial para evitar contágios, essa questão também serve para prever a dinâmica da pandemia a longo prazo. O modelo epidemiológico mais utilizado, o modelo SIR, não contempla a possibilidade de reinfecção. Ele parte do princípio de que uma pessoa recuperada é imune à doença, não podendo transmiti-la a outras pessoas saudáveis.

Se esse parâmetro variar e uma pessoa recuperada puder ser reinfectada em um curto período de tempo, as previsões atuais não serão representativas do cenário futuro real. A seguir, vamos mostrar o que se sabe até agora sobre o assunto.

Testes errados ou reinfecção por coronavírus?

Recebemos más notícias vindas da Ásia: fontes oficiais da Coreia do Sul alertam que, em 12 de abril, eles tiveram que readmitir em hospitais 111 casos que acreditavam estar curados.

O sistema imunológico reconhece os antígenos nocivos que entram no corpo e se lembra de infecções passadas. Isso se chama ‘imunidade adquirida’. Quando o patógeno já é conhecido pelo sistema, esse mecanismo permite que, nas seguintes exposições a ele, o nosso corpo atue rapidamente para eliminá-lo, evitando a reinfecção.

Em outros tipos de coronavírus, imunidades de meses e até mesmo de anos foram detectadas depois que a doença foi superada. Então, o que explica os números da Coreia do Sul?

Em entrevista à revista Time, o médico David Hui, especializado em doenças respiratórias como a SARS e a MERS, indica que isso pode ocorrer devido a erros na detecção: “A amostra pode não ser adequada e o teste pouco sensível à doença”. Assim, uma pessoa infectada pode receber um resultado negativo por erro humano.

Teste para identificar coronavírus

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Os restos do inimigo

Os vírus usam células humanas para se multiplicar. Eles sequestram nosso mecanismo de replicação e o utilizam para se replicar, multiplicando seu material genético. Com base nisso, temos outra teoria para explicar a ‘reinfecção’ tão cedo.

Os testes mais sensíveis podem detectar restos do RNA do vírus no organismo, mesmo que a doença já tenha sido superada. Esse RNA remanescente pode fazer disparar os alarmes, mas há a possibilidade de que seja uma proporção tão pequena que não exista perigo real de contrair a doença novamente.

Um estudo realizado na China com mais de 250 pacientes “recuperados” divulgou os seguintes resultados:

  • 15% dos pacientes receberam um resultado positivo novamente após terem recebido alta.
  • Desse percentual, a maioria era de pessoas jovens que apresentaram sintomas leves durante a doença.
  • Geralmente, elas não estavam sintomáticas quando receberam o resultado positivo no segundo teste.

Isso poderia consolidar as teorias descritas anteriormente. Ainda pode haver informações genéticas do inimigo no nosso corpo, mas isso não significa que ainda estejamos doentes.

Para saber mais: Detecção do coronavírus: o que é o método PCR?

Reinfecção por coronavírus: vamos ficar imunes depois de nos infectar?

Remédios contra o coronavírus

A resposta é triste, mas muito simples: ainda é muito cedo para saber. Temos pouco mais de quatro meses de exposição a essa doença, e não há informações suficientes sobre a imunidade contra o vírus.

Apesar disso, estudos preliminares trazem informações esperançosas. Um estudo realizado em macacos mostrou que, após superarem a doença e serem expostos ao vírus novamente, eles não se reinfectaram. Em nenhum momento esses dados devem ser tomados como uma realidade absoluta, pois são estudos realizados em espécies diferentes e ainda não foram publicados oficialmente.

Apesar de todas as reservas, não há motivo para a negatividade. Os seres humanos têm um excelente sistema imunológico que já se provou eficaz quando exposto a doenças semelhantes, como o SARS.

A prevenção é a melhor cura

Diante dessa falta de conhecimento, a única coisa que podemos fazer é evitar a possibilidade de infecção em primeiro lugar. Medidas como o isolamento social, o aumento do trabalho à distância e o fechamento de fronteiras visam minimizar a exposição ao vírus.

Esse é o ponto principal na situação atual. Seguindo as medidas impostas, ganhamos tempo e permitimos que as organizações de pesquisa consigam fazer previsões e combater o vírus mais facilmente.

  • Can You Be Re-Infected After Recovering From Coronavirus? Here’s What We Know About COVID-19 Immunity, revista Time. Recogido a 16 de abril en https://time.com/5810454/coronavirus-immunity-reinfection/
  • Over 110 people retest positive for coronavirus: authorities, The Korea Herald. Recogido a 16 de abril en http://www.koreaherald.com/view.php?ud=20200412000213&np=3&mp=1