O coronavírus afeta mais os homens do que as mulheres?

23 de maio de 2020
As estatísticas da pandemia são atualizadas todos os dias, e surgiram dados que levaram a investigar se o coronavírus pode afetar mais os homens do que as mulheres. Neste artigo, vamos contar o que se sabe sobre esse assunto.

Para descobrir se o coronavírus afeta mais os homens do que as mulheres, devemos olhar para as estatísticas. Todos os países afetados estão informando dados em tempo real para entender como a infecção se comporta entre suas respectivas populações.

A China foi o primeiro país a sofrer o surto de COVID-19 e também o primeiro a divulgar os dados iniciais sobre o perfil epidemiológico da infecção. Mais tarde, outras nações afetadas também passaram a publicar suas informações locais.

A maioria concordou que os homens são mais afetados pelo coronavírus do que as mulheres. Mas isso não tem nada a ver com a contagiosidade, e sim com a letalidade.

A diferença entre homens e mulheres infectados por SARS-CoV-2 é mínima. Quase todas as áreas geográficas mostram diferenças de 2 a 4% entre os sexos, o que não é um valor significativo.

  • Quando se analisa o efeito agressivo e letal do coronavírus, é possível afirmar que ele afeta mais os homens do que as mulheres.
  • Em média, as mulheres são menos infectadas do que os homens.
  • Diferentemente dos homens, as mulheres infectadas requerem menos hospitalizações e menos leitos de terapia intensiva.

As patologias anteriores explicam por que o coronavírus afeta mais os homens

As estatísticas mundiais apontam que o coronavírus pode afetar mais os homens do que as mulheres. Essa informação foi observada em todos os continentes.

O ponto de inflexão é que os homens morrem mais por causa do coronavírus, proporcionalmente, do que as mulheres. Especula-se que o resultado fatal esteja ligado às comorbidades.

Já sabemos que os grupos de risco para as formas graves da doença são aqueles que têm patologias crônicas, como hipertensão, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes. Da mesma forma, os pacientes oncológicos e imunodeprimidos correm um maior risco.

Ao que parece, em termos gerais, os homens são mais afetados pela hipertensão e por outras doenças cardiovasculares do que as mulheres. Se observarmos as estatísticas europeias, por exemplo, quase 50% dos homens são hipertensos, enquanto nas mulheres esse valor cai para 37%.

Algo parecido acontece com as patologias respiratórias, acrescentando o tabagismo, que é um hábito mais comum entre os homens. Isso é consistente com o fato de que a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é mais que duas vezes mais comum em homens do que em mulheres.

Homem com febre
Os homens têm um maior risco de apresentar formas graves da doença porque apresentam mais comorbidades cardíacas do que as mulheres.

Continue lendo: Tenho diabetes, como agir diante do coronavírus?

A teoria hormonal

Além da composição etária dos grupos afetados, existe uma teoria que se baseia no perfil hormonal. De acordo com essa hipótese, o estrogênio poderia explicar por que o coronavírus pode afetar mais os homens do que as mulheres.

Após as epidemias de SARS e MERS, dois coronavírus que afetaram a humanidade nos últimos vinte anos, foram realizados estudos científicos sobre esses vírus. Alguns desses estudos descobriram que os camundongos fêmeas resistiam melhor ao coronavírus do que os machos.

Para continuar com o estudo, passou-se a uma segunda fase em que os ovários das fêmeas foram removidos. Dessa forma, elas pararam de produzir hormônios femininos, como o estrogênio. Naquele momento, as fêmeas atingiram a taxa de contágio dos machos.

Embora seja um estudo feito com animais e com uma variedade de coronavírus diferente da atual, ele permite supor esta associação. Seria necessário realizar mais pesquisas sobre esse tema, mas pelo menos os resultados abrem um campo de estudo que pode ser investigado.

Homem medindo a pressão
Os homens são mais hipertensos que as mulheres, e isso aumenta o risco de desenvolver formas graves de coronavírus.

Leia também: Como o coronavírus infecta as células pulmonares

A questão do gênero na pandemia

Além do fato de que o coronavírus pode afetar mais os homens do que as mulheres, é importante analisar a questão das diferenças de gênero durante a pandemia, tanto no aspecto econômico quanto em relação à exposição ao vírus em hospitais e clínicas.

As mulheres podem ter uma queda significativa na sua renda diante de uma quarentena. Um exemplo clássico dessas situações são as trabalhadoras domésticas, que ficam impossibilitadas de se deslocar aos seus locais de trabalho.

Ao mesmo tempo, grande parte da força de trabalho da linha de frente nas equipes de saúde são mulheres. A experiência passada com o surto de ebola, por exemplo, entre os anos de 2014 e 2016, revelou que as mulheres ficaram altamente expostas ao vírus porque estavam em maior número à frente das tarefas de enfermagem do que os homens.

Para levar em consideração

A diferença de incidência entre homens e mulheres não deve ser uma razão para modificar as práticas preventivas gerais. Todos devem continuar a manter o isolamento social, lavar frequentemente as mãos com sabão e verificar se estão com sintomas compatíveis com o coronavírus.

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