Carne na grelha e o câncer de mama. Um risco maior?

15 de abril de 2017
De acordo com os dados produzidos por um estudo, as mulheres diagnosticadas com câncer de mama que comiam determinado tipo de carne eram muito mais propensas a ter problemas do que as que a reduziam de sua dieta

As mulheres que comem muita carne assada, defumada ou grelhada e desenvolvem câncer de mama têm mais risco de morrer do que as que comem menos estes alimentos.

Dos diferentes tipos de cozimento, o defumado parece ser o mais prejudicial.

O consumo de carne de porco ou cordeiro defumada se associa com um risco de 17% maior de morrer por qualquer causa. Este aumenta até 23% no caso do câncer de mama.

Nas carnes grelhadas ou defumadas existem muitos princípios ativos carcinogênicos, formados no processo de combustão do material orgânico.

Desta forma, as mulheres podem estar expostas aos carcinogênicos similares ao do fumo do tabaco ou a poluição atmosférica.

Estes fatores estão associados com um maior risco de desenvolver câncer de mama.

Até agora, muitos estudos associaram as carnes submetidas às altas temperaturas com um maior risco de câncer de mama.

No entanto, não tinham investigado se a ingestão de tais carnes poderia afetar a sobrevivência depois do aparecimento do tumor.

Um estudo realizado sobre condicionantes do câncer de mama

 Mulher na luta contra o câncer de mama

Algumas pesquisas prévias incidiam sobre o fato da exposição a estes produtos químicos através da carne grelhada ou defumada poderiam aumentar o risco de câncer de mama.

Em estudos mais atuais, os pesquisadores entrevistaram 1508 mulheres diagnosticadas com câncer de mama.

Foi feito um questionário sobre os seus hábitos alimentares entre os anos de 1996 e 1997. O questionário foi repetido cinco anos depois.

Um seguimento feito com a metade das mulheres, durante pelo menos 17,6 anos, resultou em um total de 597 mortes, incluindo 237 diretamente relacionadas com o tumor.

No estudo mais recente foi comparado o dado de mulheres que apenas comiam pequenas quantidades de carne assada, grelhada ou defumada com as mulheres que consumiram muitos destes alimentos antes e depois de seu diagnóstico.

Estas últimas apresentaram 31% mais de risco de morrer durante o período de estudo.

Frango e peixe, menor risco

Alimentos que podem desencadear câncer de mama

Outro dado importante é que, as mulheres que preferem comer aves de quintal e peixe, antes ou depois de seu diagnóstico do câncer, têm menor probabilidade de morrer.

A cifra se situava em 45% menos, em comparação com as que não comeram estes alimentos.

Esta diferença pode ser devida a que? A carne de frango, peru e peixe tem um nível muito menor de gorduras saturadas do que as carnes vermelhas.

Outra razão que pode explicar esta diferença é que o frango e o peixe apresentam um efeito protetor.

No caso do frango e do peru, são carnes consideradas “brancas”, e suas proteínas são menos agressivas para nosso corpo do que as outras carnes.

Estatísticas sobre o câncer de mama

Graças à detecção precoce do câncer e aos novos tratamentos, a cifra de mulheres que sobrevivem ao câncer de mama só aumenta.

Na Brasil são diagnosticados ao redor de uns 60.000 casos de câncer de mama anuais (INCA), que representam quase 30% de todos os tumores sofridos pelas mulheres.

A maior parte dos casos é diagnosticada entre os 35 e os 80 anos, com dados máximos entre os 45 e os 65 anos.

Os cuidados do seguimento do câncer de mama

Mulher fazendo exame de mama

Os cuidados de seguimento deste câncer variam de acordo com sua tipologia.

  • O normal é estabelecer visitas de controle a cada três ou quatro meses durante os primeiros dois ou três anos depois do tratamento, e uma ou duas vezes por ano depois.
  • Nas visitas de controle, o médico aconselhará realizar exames para buscar alguma recorrência ou detectar outros tipos de câncer.

Recomendamos a leitura: 7 sinais precoces de câncer colorretal que não deve ignorar

É importante que o médico ajude a determinar qual plano de cuidados de seguimento é o mais apropriado de acordo com o caso.

A paciente deverá esclarecer bem com o médico todas as perguntas, dúvidas e incertezas.

Para outros tipos de cuidados clínicos, as pacientes continuarão com o médico clínico geral e outros especialistas.

No seguimento do câncer de mama o ideal é seguir com o médico que ajudou a detectá-lo.

Imagem principal cortesia de © wikiHow.com

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