O que é a carga viral?

22 de maio de 2020
A carga viral é um conceito bioquímico e infeccioso fundamental para avaliar a evolução das doenças. Graças ao seu estudo, é possível alcançar avanços no controle de patologias como a AIDS e o atual coronavírus. Falaremos sobre o assunto neste artigo.

Falamos sobre carga viral para nos referirmos a uma técnica de bioquímica usada para medir a quantidade de um vírus no corpo. Esses dados são muito importantes para especialidades como a infectologia.

Graças aos valores da carga viral, um médico pode entender se o seu plano terapêutico funciona ou não em um paciente com doenças causadas por vírus. Daí o amplo uso que a técnica teve no mundo.

A patologia que mais utiliza a carga viral é a AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida). A hepatite C, por exemplo, é outra condição crônica desencadeada por vírus. No entanto, doenças virais agudas também exigem essa medição em alguns casos, como o coronavírus protagonista da atual pandemia.

Os imunodeprimidos, devido à sua vulnerabilidade, também são candidatos frequentes a testes. O conhecimento da carga viral permite a detecção precoce de infecções incipientes que colocariam em risco a saúde do paciente.

Em resumo, nos referimos à carga viral como um teste para descobrir quanto vírus há em um fluido corporal. É uma estimativa e não é exata, mas é relatada na quantidade de partículas virais por milímetro de fluido, como o sangue.

Carga viral durante uma infecção

Em todas as infecções virais, o circuito de propagação do vírus dentro do corpo é semelhante. A célula atacada inicialmente pode variar, mas o mecanismo tende a se repetir.

Um vírus entra no ser humano, procura a célula alvo, penetra nela e usa seu metabolismo para criar mais cópias de si mesma. As partículas virais se multiplicam, o sistema imunológico tenta se defender do ataque e a batalha interna começa. Ao mesmo tempo, o vírus continua infectando células e destruindo as que já foram usadas.

Em algum momento da batalha, o equilíbrio é alcançado e, em seguida, esse equilíbrio é revertido em favor de um ou de outro. Se o sistema imunológico combater com sucesso o vírus, o corpo se recupera da doença, com a possibilidade de alguma sequela restante. Se o vírus for mais competente, sobreviverá ao ataque e pode até causar a morte do hospedeiro.

O que mede a carga viral é quantas cópias desse vírus existem em um determinado momento. Se a carga viral for alta, significa que o período de infecção é muito ativo, com as partículas se multiplicando.

Supõe-se que os momentos de alta carga viral sejam os períodos mais contagiosos, pois quanto mais cópias das partículas, maior a possibilidade de expansão. Há também uma relação entre os sintomas que o paciente apresenta e esse número de cópias no sangue.

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Cientista analisando coronavírus
A carga viral é um teste de laboratório para determinar a quantidade de cópias virais contidas em um fluido.

O uso da PCR para determinar a carga viral

A técnica mais utilizada em laboratórios para determinar a carga viral de um paciente é a PCR. Essa sigla significa “reação em cadeia da polimerase”.

A PCR permite pegar um pedaço muito pequeno de DNA ou RNA e multiplicá-lo para medi-lo. Basicamente, o teste replica informações genéticas para ter um volume maior que possibilita a medição.

Este método data de 1986 e se tornou famoso rapidamente. Hoje, quase todos os países têm infraestrutura para realizar várias PCRs a uma velocidade muito aceitável.

A reação em cadeia da polimerase não é usada apenas para quantificar a carga viral, mas também tem usos muito diferentes, como na medicina forense, por exemplo. A possibilidade de obter grandes cópias de DNA de um pequeno fragmento estimula seu uso em campos da medicina que vão além da microbiologia.

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Qual é a utilidade de conhecer as cargas virais?

Vírus do herpes
A determinação da carga viral não é exata, mas permite uma aproximação ao valor real que auxilia no tratamento e no diagnóstico.

Como o novo coronavírus é o assunto das notícias atuais, podemos usá-lo como exemplo para avaliar um dos benefícios da carga viral. Outra doença que se beneficiou muito da técnica foi a AIDS.

De acordo com estudos científicoso pico de carga viral na infecção por coronavírus ocorre de 5 a 6 dias após o paciente ter sido infectado. Isso alerta sobre o contágio, principalmente nas urgências hospitalares, já que naquele momento é muito provável que o paciente vá ao pronto-socorro ou seja hospitalizado.

Da mesma forma, as crianças, embora favorecidas pela benignidade da doença, são conhecidas por terem altas cargas virais. Por esse motivo, eles são identificados como grandes transportadoras e transmissoras do SARS-CoV-2.

Na AIDS, com os resultados das cargas virais em mãos, o infectologista define quais antivirais o paciente deve tomar, qual dose e por quanto tempo. Da mesma forma, avalia se um tratamento anterior foi realizado ou não. O objetivo é diminuir a carga viral para os valores que os protocolos indicam como seguros.

Uma técnica benéfica

Em conclusão, a carga viral é uma técnica de laboratório que veio para ficar. Ela é relativamente nova no campo de estudo, mas sua utilidade já está mais do que comprovada. Quanto maior for a sua disseminação no mundo, melhor o controle das doenças infecciosas como HIV e coronavírus, por exemplo.