Quais ambientes favorecem a propagação do coronavírus?

22 de maio de 2020
Um grupo de pesquisadores liderados pelo doutor Akiko Iwasaki afirmou que alguns ambientes favorecem a propagação do coronavírus. Mais especificamente, o ar seco e frio gera condições que aumentam o contágio e diminuem a capacidade de resposta do organismo.

Uma pesquisa recente nos Estados Unidos observou que alguns ambientes provavelmente favorecem a propagação do coronavírus. Em contraste com o que vinha sendo considerado nas últimas semanas, um fator crucial para o contágio não é o clima, mas a umidade.

Se for comprovado que a umidade é um fator relevante na propagação da epidemia, poderíamos esperar que houvesse uma diminuição significativa de casos no hemisfério norte com a chegada da primavera. No entanto, a simples mudança das estações do ano não será suficiente.

De acordo com o estudo mencionado, o fator crucial operaria dentro das casas. Como alguns ambientes favorecem a propagação do coronavírus e outros a inibem, o indicado seria aumentar a umidade dentro de casas e edifícios como uma medida para reduzir o contágio.

Determinados ambientes favorecem a propagação do coronavírus

Homem com frio nas mãos
A relação entre as condições ambientais e a propagação do coronavírus está sendo estudada.

Um estudo recente da Universidade de Yale chegou à conclusão de que alguns ambientes favorecem a propagação do coronavírus. Especificamente, ambientes frios e secos seriam ideais para a propagação do contágio. Por outro lado, ambientes quentes e úmidos podem ajudar a frear a sua expansão.

Embora ainda existam muitas perguntas sem resposta, para a maioria dos cientistas, está claro que o ar frio e seco do inverno favorece o SARS-CoV-2, o vírus que causa o COVID-19. Esse tipo de ambiente ajuda a infecção a se espalhar mais rapidamente entre as pessoas.

O imunobiólogo Akiko Iwasaki, diretor do estudo, destacou que, desde tempos antigos, sabe-se que as doenças respiratórias aumentam no inverno e diminuem com a chegada da primavera e do verão. Atualmente, sabe-se que isso se deve, principalmente, ao fato de que o ar frio e seco favorece a propagação dos vírus.

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A umidade externa e a umidade interna

Os cientistas de Yale observaram que, quando o ar está frio e seco do lado de fora, o interior das casas é aquecido, quando existe essa possibilidade. Isso leva à redução da umidade relativa dentro de uma casa ou um edifício em aproximadamente 20%. Nessas condições, o ambiente favoreceria a propagação do coronavírus.

Por outro lado, ambientes quentes e secos também não são favoráveis para o bom funcionamento das vias respiratórias. Ambientes como esse fazem com que os cílios respiratórios percam sua capacidade de funcionar bem. Esses cílios são um tipo de pelo que reveste as vias respiratórias e ajuda a expelir partículas virais.

Como se isso não bastasse, em ambientes secos e quentes a capacidade do sistema imunológico de responder a agentes patogênicos é suprimida. Portanto, os pesquisadores concluem que ambientes desse tipo envolvem um fator de risco em três frentes simultâneas.

Experimentos e outras informações

Mulher resfriada no inverno
Acredita-se que os vírus tenham muito mais facilidade para se espalhar em ambientes de baixa umidade.

Os pesquisadores de Yale citaram testes de laboratório realizados em ratos. Nesses testes, verificou-se que, em ambientes de baixa umidade, roedores infectados com vírus respiratórios apresentavam uma maior capacidade de transmiti-lo a outros exemplares.

Também foi constatado que os ratos que viviam em ambientes com umidade relativa de 50% conseguiram produzir respostas imunes mais vigorosas e, por fim, foram capazes de expelir os vírus inalados. Um efeito semelhante ocorreu em ambientes com umidade entre 40 e 60%.

Por outro lado, foi observado que em países tropicais (nos quais a umidade relativa no ambiente é alta), as gotículas expelidas pelas pessoas infectadas podem permanecer por mais tempo nas superfícies, em comparação com outras condições ambientais. Se a isso forem somados os fatores de falta de ventilação e aglomeração, os benefícios da umidade do ambiente são perdidos.

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Medidas para prevenir a propagação do coronavírus

Os cientistas foram enfáticos ao afirmar que essas descobertas se aplicam apenas à transmissão da doença por aerossóis, ou seja, pelas gotículas que o infectado expele ao falar, tossir ou espirrar. O recomendável, então, é adotar duas medidas.

A primeira delas é usar umidificadores nas residências durante o inverno. Isso pode ajudar a reduzir a propagação do vírus. No entanto, essa medida deve ser acompanhada por ventilação suficiente e ausência de superlotação. Caso contrário, não seria eficaz.

Por outro lado, é importante entender que a umidade, por si só, não impede o contágio. O vírus pode ser transmitido em qualquer época do ano, por meio da via usual de contato próximo, assim como por meio do contato com superfícies onde estiver presente. Portanto, manter o distanciamento social e lavar as mãos frequentemente continuam sendo medidas importantes.

  • Caparó, F. L., & Sara, J. C. D. C. (2020). Coronavirus y las amenazas a la salud mundial. Horizonte Médico (Lima), 20(1), 4-5.
  • Moriyama, M., Hugentobler, W. J., & Iwasaki, A. (2020). Seasonality of Respiratory Viral Infections. Annual Review of Virology. https://doi.org/10.1146/annurev-virology-012420-022445
  • Conseleria de Salut – Direcció General de Salut Pública i Participació. (2020). CORONAVIRUS COVID-19. Retrieved from http://www.caib.es/sites/coronavirus/es/portada/#